Em busca da versatilidade na tela

No ar em Longmire, Lou Diamond Phillips, de La Bamba, diz tentar fugir dos estereótipos que atrai por causa do tipo físico

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2013 | 02h07

Quando um telespectador deu de cara com Lou Diamond Phillips servindo bebidas atrás de um balcão, na série Longmire exibida desde ontem, no canal A&E, pode ter tido a impressão de ter visto a pessoa certa no lugar errado. Filipino radicado nos EUA, o ator permanece no imaginário por sua performance em La Bamba (1987).

"Eu adoro aquele filme. Foi minha história de Cinderela. É incrível, pois ele já tem 25 anos, mas está a toda hora na TV paga, as novas gerações estão descobrindo. Ele toca o coração das pessoas. Por causa disso, quando me veem na rua, as pessoas gritam 'Ritchie'. Às vezes, é um pouco chato, mas eu sou muito grato pelo fato de que as pessoas ainda gostam", confessou o ator em uma teleconferência com um grupo de jornalistas da América Latina.

No novo trabalho ele é Henry, dono de um bar em uma pequena cidade de um recanto esquecido do estado norte-americano de Wyoming. Na trama, baseada nos livros de Craig Johnson, o personagem de Phillips é o melhor amigo do protagonista, o xerife Walt Longmire, papel de Robert Taylor (o agente Jones de Matrix). Com uma história cheia de mistérios, o policial tenta reconstruir a vida após a morte da mulher enquanto zela pela ordem e investiga os crimes da região.

A produção tem um clima western que, segundo o ator, tem a ver com sua história. "Eu fui criado no Texas, é algo que vivi e entendo. Nunca fui caubói, mas cresci com eles", garante Phillips, que ajudará Longmire em suas ações policiais. "Meu pai era militar. Sei como é aquela vida, pois cresci em bases da marinha ao redor do mundo. É parte do meu DNA. Quando faço esses papéis, quero trazer dignidade", filosofa.

Para Lou Diamond Phillips, a nova série não lembra as outras com temática do oeste norte-americano. "Há programas como este, mas eles não captaram a atmosfera western como nós. Vegas é sobre os gângsteres e Justified é meio gótico. No nosso, há uma coisa retrô e contemporânea no crime", justifica.

Além de ficar lado a lado com o poder local, Henry tem uma ligação com os poucos indígenas que sobraram na região, grupo do qual descende. "Represento a nação cheyenne, uma comunidade real. É importante fazer isso corretamente. Fui à reserva deles em Montana, participei de uma cerimônia, recebi uma espécie de bênção."

Por causa do tipo físico, Phillips diz convencer o público como índio, apesar da origem filipina. "Eu recebo cumprimentos de indígenas norte-americanos", afirma. Mesmo com facilidade para interpretar estereótipos, o artista explica que preferiu variar os personagens que encarna. "Tem gente que ganha muito dinheiro fazendo uma coisa só e faz bem. Entretanto, há muitas histórias diferentes para se contar", sentencia.

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