Em Belém, Berlusconi pergunta: Muro? Qual muro?

O primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, viajou de Jerusalém a Belém nesta quarta-feira, mas não percebeu o marco mais comentado da região --um muro com oito metros de altura erguido por Israel como medida de segurança.

REUTERS

03 Fevereiro 2010 | 18h56

"Vou decepcionar você porque que não percebi", disse Berlusconi a um jornalista italiano que perguntou ao premiê qual era a impressão dele sobre a barreira de concreto, durante uma entrevista coletiva do primeiro-ministro da Itália ao lado do presidente palestino, Mahmoud Abbas.

O protocolo obrigou Berlusconi a descer no frio e sob chuva do carro israelense onde estava para um carro palestino num ponto de verificação no muro, onde um portão de aço controla o acesso à Cisjordânia, disseram fontes palestinas.

No entanto, o líder italiano disse que não prestou atenção no muro.

"Estava pensando no que dizer ao presidente (Abbas)", disse ele. "Peço desculpas".

O muro em Belém faz parte de uma longa barreira formada na maior parte por uma cerca de segurança, que Israel diz ser necessária para impedir que militantes palestinos armados e suicidas sigam para cidades israelenses.

Visitantes importantes da Igreja da Natividade em Belém, onde os cristãos acreditam que Jesus tenha nascido, são normalmente convidados para visitar o muro coberto de grafite.

O papa Bento 16, que visitou a região em maio, disse que o muro era uma "lembrança dura do impasse" nas relações entre Israel e os palestinos.

Os palestinos dizem que a barreira não é para a segurança de Israel, mas sim para o governo israelense tomar o controle da Cisjordânia.

(Reportagem de Valentina Rusconi e Douglas Hamilton)

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