Em ´Anônimos´, o palco muda em página de quadrinhos

Linguagem de Beth Lopes é atração de peça que estréia no Viga Espaço Cênico

Agencia Estado

02 de julho de 2007 | 08h53

Beth Lopes está de volta à cena. Nãoque estivesse ausente, mas a estréia neste sábado, 30, no Viga EspaçoCênico para o público de Anônimos propicia ao público umreencontro com uma linguagem muito própria dessa diretora:quadrinhos no palco. A julgar pelo ensaio, o espectador, emalguns momentos, chega a ter a sensação de ver imagens de umdesses gibis de traços contemporâneos - movimentos fragmentadosem desenhos que mais sugerem do que narram. Como são imagensanimadas, remetem também aos filmes ‘noir’: cigarrilhas, fumaça,olhares de esguelha, detetives de capa e chapéu, atmosfera demistério.Um hotel, ou a sugestão de um, é o ambiente onde se desenrola atrama escrita por Leonardo Faria, que também integra o elenco decinco atores do grupo que tem o sugestivo nome de Cia. de Teatroem Quadrinhos. "Como sempre, partimos de um tema que desejávamosexplorar", diz Beth Lopes em conversa na platéia do Viga, poucoantes do início do ensaio. "Desta vez, o tema era o sentimentode lugar, comum a todo ser humano; lugar num sentido amplo, deidentidade, de pertencer ou não a um lugar."Sejam refugiados de zonas de conflito, sejam pessoas buscandoatravessar fronteiras por uma vida melhor, o tráfego - e tambémo tráfico - de clandestinos hoje é um grave problema mundial. Edá o tom desse hotel, volta e meia bombardeado, no qualtransitam desde curdos, judeus a dondocas ricas e fúteis. "Essehotel é uma metáfora que serve para detonar a reflexão sobrequal o é ‘lugar’ dessas pessoas, e de cada um de nós. Afinal, élonge do que consideramos o ‘nosso’ lugar que melhorcompreendemos qual é esse lugar."Nem tudo é sugestão ou abstração no enfoque do tema. A trama éconduzida por um personagem, de cujo nome só conhecemos ainicial K, que recebe em sua secretária eletrônica recados paraum outro K, um detetive. Resolve então ele próprio assumir amissão que era do outro e, mais ainda, tentar descobrir quem eleé; na verdade, um duplo. Há espaço para humor, como o telefonevermelho, desses antigos, de disco, que surpreende ao ‘surgir’em cena como se fosse um celular, ou ainda através doscomentário das ‘garotas’ na piscina do hotel. Fundamentais paraa ampliar a atmosfera de mistério e humor negro, a trilha maisque pertinente de Marcelo Pellegrini e a iluminação de MariaDruck. Anônimos. 70 min. 14 anos. Viga Espaço Cênico (74lug.). Rua Capote Valente, 1.323, Pinheiros, tel. 3801-1843.6.ª e sáb., 21 h; dom., 19 h. Ingressos R$ 20. Até 19/8

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