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'Em 2014, eu gostaria...'

Olha aí, só falta você. Também vai reclamar da Copa?

HUMBERTO WERNECK, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2013 | 02h09

O Guilherme Tauil quer encontrar Jesus: "Preciso aprender aquele truque de transformar água em vinho".

Um desejo para 2014? A Clara diz que precisa pensar - embora saiba que os melhores desejos não combinam com reflexão.

"Meu desejo", diz o Ale Staut, "é diminuir o recheio adiposo da barriga de forma inversamente proporcional aos algarismos da conta bancária. Sejamos magros e ricos em 2014!"

A Inês gostaria que todos os homens se dessem as mãos - mesmo com o risco "disto aqui ficar parecendo uma colossal parada gay".

O Villas quer saúde para chegar firme e forte a 3 de agosto, data que vai comemorar ao som de When I'm Sixty-Four, de Lennon e McCartney.

A enigmática Teresa pede "coragem para deixar vir à tona, com sua força talvez destruidora, o 'amor de risco' que tenho por aquela criatura, da qual o bom senso me recomenda guardar distância". (Depois conte pra gente, moça!).

Convencido de que dificilmente vai encontrar num só endereço um menu que seja campeão em todas as etapas do repasto, o Marco Antônio quer montar uma "antologia gourmet": na mesma noite, comer aqui a entrada, ali o prato principal e alhures a sobremesa, pouco importando se o perfeccionismo lhe vai custar três mordidas de valet service.

"Que tal", propõe a Cris Guerra, "se em 2014 diluíssemos o Natal pelos 12 meses e fôssemos presenteando aos poucos as pessoas, sem data marcada? Espalharíamos a alegria pelo ano e as lojas venderiam bem o tempo todo, o que melhoraria a qualidade do atendimento, sem jogar os preços lá em cima".

"Com meio século de serviço público completado", suspira o Jaime, "só desejo que o processo de Kafka a que nós funcionários respondemos seja enfim remetido à única instância competente para condenar todos os burocratas a cumprir pena no Inferno: o Juízo Final."

Envergonhada de seu inextirpável sotaque caipira, a Rosa gostaria de chegar ao fecho de 2014 podendo dizer, sem provocar risinhos, que "a perna da bermuda tá larga, tem que apertar".

"Em 2014, só quero distância da Copa", diz (em paz com o tal sotaque) o Eugênio Bucci.

Doze meses atrás, a Ana fazia planos de "andar descalça e tomar chuva", ela e "um príncipe que nem precisaria ser encantado, bastando ser encantador". Só a chuva deu certo. Um projeto para 2014? "Sumir enquanto for Copa."

A Isabel adoraria tomar uma chuvarada sem guarda-chuva, desde que as gotas sejam moedas de 1. "Problema não, tenho fama de cabeça dura..."

"No novo ano", diz às margens do Sena o Luiz Horta, "espero sentir menos calor, ter mais outonos e invernos e menos verões, sem poesia ou metáfora, estações mesmo - e estar o mais distante da Copa que um voo possa alcançar."

"Meu desejo para 2014", revela a Vanessa Barbara, "é que tudo corra bem durante a Olimpíada e eu consiga parar com essa mania irritante de trocar as palavras. Também queria acordar canhota, mas acho que não vai ser desta vez."

"Que as sutilezas sejam plenas em 2014!", pede o sutilíssimo poeta Ademir Assunção.

"Quero ser menos rabugento", propõe-se o não menos poeta Donizete Galvão, "para sobreviver à gritaria patriótica da Copa e aos debates sobre a eleição."

"Quando chegarem a Copa e as eleições", diz a Nísia, "eu queria dormir e só acordar em 2015. As duas coisas ficam cada vez mais chatas e dividem o mundo mais do que deveriam."

Cansado de camelar sobre duas pernas, o Arthur Victor quer fazê-lo também sobre duas rodas: vai aprender a bicicletar.

A Wanda não pede muito mas quer tudo: "Continuar perto dos amigos, beber bons vinhos, comer boas comidas, ver bons filmes, ler bons livros, viajar. Se puder ter isso acompanhada de uma boa parceria..."

O Edu espera que o Legislativo aprove a ideia do escritor Cyro dos Anjos e nos dê direito a dois votos - um a favor, outro contra: "Tô muito a fim de deseleger alguém!".

A Lia não vê a hora de estrear seu passaporte húngaro, para, quem sabe, viver na terra dos antepassados uma rapsódia igualmente húngara.

Quanto a este cronista, ele se dará por satisfeito se for implantado um rodízio para chatos. Motorizados ou não, eles só poderiam circular uma vez por semana, e sem direito a chatear quem não seja um de seus semelhantes.

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