Elza Soares faz um dos melhores shows da Virada

Elza Soares faz um dos melhores shows da Virada

No Municipal, cantora relembrou músicas do disco ‘A Bossa Negra’ com arranjos inovadores

18 de maio de 2014 | 22h25

Tudo conspirava contra Elza Soares e seu show na Virada Cultural, agendado para 11h30 de ontem. Ela estava resfriada, os atrasos de mais de 30 minutos nas apresentações do Teatro Municipal estavam institucionalizados e os artistas que haviam estado naquele palco durante o evento tiveram o som de seus microfones equalizados enquanto cantavam. A intérprete entrou no palco às 11h33, escorada por dois homens que a auxiliavam na locomoção. E com a plateia aplaudindo de pé.

A ovação do público também se repetiu no fim, porque, contra todas as adversidades, Elza fez o melhor show do Municipal na edição 2014 da Virada. A cantora releu o repertório do disco A Bossa Negra, de 1961, com charme, suingue e sem saudosismo. Em vez dos arranjos que transitam entre a gafieira e o jazz, ela preferiu revisitar tais músicas com clima funkeado.

Quando A Bossa Negra foi gravado, a voz de Elza tinha as características de divas do jazz. O diamante ainda estava sendo lapidado. Não à toa, Ronaldo Bôscoli, à época do departamento de publicidade da gravadora Odeon, pediu que ela fizesse “pose de Sarah Vaughan” na capa. “Era bunda para trás e biquinho para a frente”, relembrou a cantora, durante show.

Mas Elza já é Elza há muito tempo. E injetou sua própria musicalidade em um repertório antigo, renovando-o. O show seguiu a ordem original das faixas de A Bossa Negra, abrindo com Tenha Pena de Mim, fazendo vocalises à Louis Armstrong. Se ela não tivesse dito que estava resfriada, o público ficaria sem saber. Em Boato, imitou Dalva de Oliveira, Miltinho e Alaíde Costa, do mesmo jeito da gravação original.

Elza canta Cadeira Vazia com a mesma garra e sentimento de sua gravação de 1961. Em O Samba Está Com Tudo, tropeça na letra, mas mantém o fôlego do samba. Também deu espaço aos músicos, fazendo improvisos com guitarra, trombone e pandeiros. No bis, cantou o porta-estandarte Se Acaso Você Chegasse em português e numa bizarra versão em inglês, falando de Copacabana e Corcovado. Ao final, homenageou o amigo Jair Rodrigues com uma versão de Deixa Isso Pra Lá.

O ponto negativo não diz respeito a Elza, e sim à organização dos shows do Municipal. Enquanto a cantora interpretava Marambaia, quarta música do roteiro, ainda havia gente entrando no teatro e ocupando frisas, quase disputando lugares à tapa. O público não merecia. Nem a “Cantora do Milênio”.

As três primeiras atrações do Municipal foram prejudicadas pelos problemas no som. Durante o show de Célia com Arthur Verocai, que abriu a programação do teatro, o microfone da cantora estava inaudível. Após a quinta música, o público não aguentou. “Mais voz”, disse um homem. Célia pediu desculpas à plateia, afirmando que o ensaio de uma ópera atrasou a passagem de som e sua apresentação.

Em Rio de Luar, que abriu o show de Tetê Espíndola com os irmãos Alzira E, Geraldo e Celito, o microfone de Tetê também estava baixo. Após a cantora fazer um sinal para o técnico de som, o problema foi sanado. Na sequência, Ednardo também suou para ser ouvido em Carneiro, com a qual iniciou sua apresentação.

 

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