Ellen DeGeneres popularizou a atitude gay na TV

A controvérsia de Ellen foi uma espécie de divisor de águas na TV americana. A revelação de que a atriz e a personagem eram homossexuais causou comoção porque o seriado era exibido em canal aberto e ela era o primeiro personagem gay protagonista de um programa no horário nobre na televisão americana. Depois do episódio, vieram Will & Grace, o personagem gay de Dawson´s Creek, e as experiências homossexuais de Party of Five e Felicity, além de uma série de filmes teen que abordaram o tema.DeGeneres foi uma desbravadora do gênero, tendo enfrentado muita polêmica nos Estados Unidos. A comediante e a ABC, da Disney, brigaram por causa do aviso antes de alguns episódios sobre o conteúdo "adulto" do programa. Ela achava que a medida, de alguma maneira, era preconceituosa, mas superou os problemas com a emissora. "Eu realmente fico muito feliz porque fizemos uma coisa que ninguém tinha tido coragem até então", afirmou ela ao jornal Los Angeles Times."De qualquer maneira, era sempre uma briga", explicou ela. "Os anunciantes pareciam controlar tudo, o que amedrontava quem estava a cargo das decisões." A comediante contou também que o conteúdo dos episódios era discutido caso a caso, mas que todo mundo era bastante razoável nas decisões. O programa ficou cinco anos no ar nos Estados Unidos. A comediante foi considerada em 1998 a 89ª pessoa mais poderosa de Hollywood pela Entertainment Weekly. Até o vice-presidente Al Gore saiu em defesa dela, dizendo que as discussões que o programa suscitou sobre o assunto eram importantes para a sociedade americana. A declaração provocou muitas reações negativas da opinião pública.Na época, a "saída do armário" virou histeria na imprensa dos Estados Unidos com a revelação de que a comediante estava namorando Anne Heche. A história apareceu a princípio no TV Guide, a revista com as programações da emissoras, a publicação mais vendida nos Estados Unidos. O caso teve ampla cobertura na mídia, principalmente depois que DeGeneres saiu na capa da revista Time com um título em letras garrafais: Sim, sou gay!. No programa de entrevistas de Oprah Winfrey, ela falou sobre sua atitude e seu relacionamento com Heche e respondeu perguntas do público. "Achei incrível que na única cidade (Birmingham, Alabama) em que a emissora de TV se recusou a passar o episódio os 2,1 mil ingressos para uma exibição particular em um cinema se esgotaram rapidamente", disse a atriz. Alguns dos astros e estrelas que apareceram no episódio para dar apoio a Ellen foram Laura Dern (que faz o papel da mulher pela qual Ellen se apaixona), Demi Moore, a cantora k.d. lang., o ator e roteirista Billy Bob Thornton e Oprah Winfrey. Mais de 42 milhões de pessoas assistiram ao programa.A polêmica tomou grandes proporções nos Estados Unidos e atraiu atenção também para a ativista lésbica Chastity Bono, filha de Cher e Sonny Bono, presidente da Associação contra a Difamação de Gays e Lésbicas (Glaad). Ela organizou uma série de eventos em todo o país para incentivar pessoas a seguirem o exemplo de Ellen. Foram 1,5 mil festas nos 50 estados americanos e em mais cinco países. A associação enviou a todos esses lugares kits com instruções sobre como deveriam ser as festas "Assuma com Ellen".

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