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Eles vão roubar a cena

Na nova temporada de 'Tapas & Beijos', Flavinha vira chefe da loja de Djalma

João Fernando, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2013 | 02h11

Otávio Müller ficou à toa na vida na ficção, mas ganhou trabalho dobrado na vida real. Na próxima temporada de Tapas & Beijos, que volta à grade da Globo no dia 2 de abril, Djalma, seu personagem, será obrigado a ficar em casa por recomendações médicas, e conversará com sua 'versão antiga', fruto de sua imaginação, nos momentos em que não tem nada para fazer.

"Ele está mais perturbado, começa a andar com roupas de aposentado", adianta o ator, que não tem dublê de corpo nas sequências em que o personagem aparece duplicado na tela. "Vejo os colegas aqui com stand in (dublê). Mas eu estou trabalhando em dobro, ficando maluco. Troco de roupa na marca (posicionamento diante da câmera), pois sou eu quem aparece de costas também. Já demorei três horas para gravar uma cena."

Além das roupas largadas, Djalma ficará com uma aparência mais suja e terá devaneios em que conversa com ele mesmo e se vê como na época em que ainda estava à frente da loja Djalma Noivas, agora sob o comando de sua mulher, Flavinha (Fernanda de Freitas). "Tento marcar a diferença, faço outros gestos e tenho outra maneira de falar", explica Müller, que também já teve de ficar parado por ordens médicas. "No ano passado, passei por uma cirurgia no joelho e fiquei dez dias em casa, mas não virei mendigo, não", brinca.

Enquanto o comerciante sofre em casa, Flavinha vai colocar todo mundo da loja na linha ao passar de vendedora a gerente, deixando Sueli (Andréa Beltrão) e Fátima (Fernanda Torres) tensas. "Ela já era meio mandona e agora está mais participativa. Vai começar uma reforma e fazer o que o Djalma não conseguia. E fica mais chata com as meninas", conta Fernanda de Freitas. Longe da ficção, a atriz jura que é uma boa chefe. "Considero a Célia, funcionária lá de casa há dez anos, uma parceira. Mas já tive muito chefe chato pior do que a Flavinha na época em que fui secretária. Nessa situação, você tem de fazer uma ioga, respirar fundo. Não vai aceitar tudo, mas tem de entender que há uma hierarquia", relembra ela, que também trabalhou como professora de balé.

A vida de Djalma não será só de lamúrias. Entediado, ele procurará trabalhos alternativos sem que a mulher saiba e vai dar expediente como ajudante em uma carrocinha de cachorro-quente de Meleca, vivido por Anderson Mello, novo integrante do elenco fixo do humorístico. "Mas a Flavinha o pega comendo salsichas escondido. E ele se aposentou por problemas do coração", entrega Müller. O flagra, porém, não impedirá que o comerciante abandone a função. "A Fátima e a Sueli sentirão falta dele e vão visitá-lo na carrocinha, que fica na área da loja."

Constantemente na lista do três programas mais assistidos da Globo, Tapas & Beijos consome tempo na agenda do elenco, pois a temporada vai de abril até dezembro. "Fazer teatro é fácil, difícil é com o cinema", avalia Otávio Müller, que recusou convites para outros trabalhos na TV para se dedicar ao humorístico. "A Amora (Mautner, diretora) queria que eu fizesse Avenida Brasil e o Pequeno Buda (nome provisório da próxima trama das 6, escrita por Duca Rachid e Thelma Guedes). A Denise Saraceni veio falar comigo. Até poderia ter ido, mas o Tapas é minha prioridade", justifica o ator, que não se sente tão disputado. "Tenho um tipo específico, não sou galã. Estou em outra faixa", sentencia.

Este ano, Müller deve ser visto em O Gorila, novo filme de José Eduardo Belmonte, e em Minutos Atrás, longa de Caio Soh, em que divide a cena com Vladimir Brichta e o cantor Paulinho Moska. "Na TV, vou fazer um piloto de um programa que o GNT me chamou, é um seriado de humor", diz o ator, sem revelar o nome do projeto.

Assim como o companheiro de programa, Fernanda de Freitas declinou outras propostas. "Mas consegui gravar outra temporada do História do Amor", diz a atriz sobre o quadro do Fantástico em que ela atua ao lado de Daniel de Oliveira, ainda sem data para ir ao ar. No sábado, ela vem a São Paulo para a temporada paulistana de O Desaparecimento do Elefante, espetáculo que entra em cartaz no Sesc Pinheiros.

Apesar de ter se consolidado na carreira, Fernanda confessa que, de vez em quando, ainda é confundida com Deborah Secco, atriz com quem já contracenou no papel de irmã, cujos traços são semelhantes. "Essa coisa sempre vai existir, a gente tem a mesma idade. Mas as pessoas sabem que são duas atrizes diferentes."

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