Eles vão dar expediente duplo - e não reclamam

Em 1985, ainda pouco conhecidos, eles ficaram de fora do Rock in Rio, com inveja dos Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Kid Abelha e Blitz, bandas contemporâneas que viveram ali sua explosão. Em 1991, estavam lá, superconsagrados, no mesmo palco do Guns N'Roses e do Faith No More. Em 2001, a época era de férias coletivas.

ROBERTA PENNAFORT / RIO , O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2011 | 03h08

Neste Rock in Rio, os Titãs aparecem em dose dupla: os hits de 30 anos de carreira abrem o festival, hoje, no show com os Paralamas; as músicas menos pop, mais pesadas, eles deixaram para o palco Sunset, em que se juntam aos igualmente veteranos roqueiros portugueses dos Xutos e Pontapés.

Como os Titãs, Andreas Kisser dará expediente dobrado. Nesta tarde, faz covers de Led Zeppelin e Deep Purple acompanhando Ed Motta e Rui Veloso, "o pai do rock português"; no domingo, a noite do metal, volta com o Sepultura para uma apresentação com os franceses do Tambours Du Bronx. Os dois encontros são do Sunset. No palco principal, só Corey Taylor, vocalista tanto do Stone Sour (amanhã) quanto do Slipknot (domingo) vai dobrar.

Titãs e Paralamas têm como base do repertório a turnê 25 Anos de Rock, de três anos atrás. A diferença é que agora os arranjos de clássicos - Sonífera Ilha, Marvin, Homem Primata, Óculos, Ska, O Beco - incluem as cordas e sopros da Orquestra Sinfônica Brasileira. Já a plateia do show com os Xutos ouvirá Bichos Escrotos, Aluga-se, Porrada, Diversão. Ambos são curtos, por serem coletivos.

"São shows completamente diferentes. Com os Paralamas, tem esse caráter de abrir um festival variado. Com Xutos tem mais ousadia. Quem assistir aos dois vai ter uma ideia dos Titãs por inteiro", diz Tony Bellotto, que juntará sua guitarra às duas da banda portuguesa, à qual os Titãs já haviam se juntado em 1988, numa turnê em Portugal por ocasião do disco Go Back.

"Com Xutos vai ser uma surpresa, a gente vai deixar rolar quando eles chegarem para os ensaios. A história deles é muito parecida com a nossa: uma banda de rock cantando em português", lembra Branco Mello.

Alheio ao que já chamou de "arrogância do heavy metal", Andreas Kisser, já criticado pelos "fundamentalistas" por tocar com Junior (irmão da Sandy), Jorge Ben, Maria Rita e outros não roqueiros, está animado: "Eu só aprendo com isso, sempre escutei de tudo. Tem uma galera radical, e não só no metal", justifica. "Acho legal essa proposta de o Sunset não ser um palco B. São encontros realmente fantásticos, que não vão se repetir. Quero ver Mike Patton e Mondo Cane", conta o guitarrista, cuja ligação com o Rock in Rio vem de 85, quando, adolescente, vibrou na plateia de Ozzy Osbourne, Iron Maiden e AC/DC.

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