Eles são os Smiths de hoje

Ah tá, e quem disse isso dos Drums? O próprio Morrisey, vocalista dos Smiths

Lucio Ribeiro, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2011 | 00h00

O admirável mundo da música nova pode ser assim geograficamente dividido: de um lado, as bandas que vêm do Brooklyn, Nova York; do outro, as que são de todos os outros lugares do planeta. Neste primeiro grupo, um dos grandes destaques é o quarteto The Drums, banda indie pop que, não é raro ouvir por aí, representa no lirismo e na levada dramática de guitarras mais ou menos o que o cultuado grupo inglês The Smiths estaria fazendo hoje em dia, se não tivesse terminado há quase 25 anos. Um dos que falam isso: o próprio cantor Morrissey.

Pois o Drums, sua semelhança com o passado e seu cheiro de futuro poderão ser conferidos in loco no próximo dia 31 de março, quando a banda faz show único no Estúdio Emme, em São Paulo.

O grupo, do intrépido vocalista Jonathan Pierce, chega ao Brasil graças a um oportuníssimo desvio de rota. A banda é uma das boas atrações da edição chilena do festival Lollapalooza no começo de abril. E, antes de aportar em Santiago, aceitou o convite paulistano para uma esticada rápida de um show no país.

Com forte presença nos blogs americanos de música e nas rádios e revistas inglesas desde 2009, o Drums apareceu forte mesmo no cenário independente no ano passado, quando tocou nos principais festivais do mundo e lançou seu primeiro álbum, homônimo. The Drums, o disco, foi editado em junho e teve como música de frente a pegajosa Let"s Go Surfing, canção que já frequentava as rádios rock do planeta por estar num famoso e algo raro EP da banda, que circulou em alta velocidade na internet no final de 2009.

Bastante tocada até em clubinhos de rock de São Paulo bem antes de o álbum ser lançado, na Europa Let"s Go Surfing ganhou ainda mais projeção muito além do mundo indie por atingir as TVs e os cinemas como trilha sonora de um comercial de carro da marca alemã Volkswagen.

As performances do Drums são das mais animadas do novo rock. Protagonista de um som ensolarado, alegre, parecem mais uma banda da Califórnia ou mesmo britânica do que propriamente do "cerebral" Brooklyn, bastante voltado ao indie folk.

Além de traços dos Smiths, o vocalista Jonathan Pierce poderia muito bem se passar por integrante do escocês Franz Ferdinand, para puxar comparações mais atuais. Seja pela roupa descolada, pelas dancinhas debochadas, pela movimentação sem parar no palco.

Loiro, cabelo tigela, camisa listada e calças sempre nas canelas, Pierce já fez o Drums parar até em revistas de moda, como Vogue Itália e a Elle inglesa.

Mas, no balaio das referências, a melhor e mais exata é a do diário britânico The Guardian: "Uma banda de Nova York que parece uma banda de Manchester querendo soar como uma banda da Costa Oeste dos EUA".

"A gente, na verdade, sempre pensou em buscar o começo da música pop básica dos anos 50", sempre explica assim sua sonoridade o líder do The Drums. "Mas claro que, no meio de tudo, a gente se perde e quando vê já está tocando como uma banda dos anos 60, 70 e principalmente 80. Isso não é característico de um grupo total sintonizado com 2010?"

Recheados de pequenos hits, como Best Friend, Down by the Water e Forever and Ever, Amen, todas de seu disco de estreia, o Drums deve se apresentar com a casa cheia em São Paulo. Voz oficial do Estúdio Emme, que botou 800 ingressos à disposição para compra, diz já ter vendido antecipadamente metade deles, a pouco menos de 20 dias do show.

As entradas podem ser adquiridas na bilheteria da casa (Rua Pedroso de Moraes, 1.036, em Pinheiros), e no site da empresa Livepass (livepass.com.br). Um lugar para ouvir como soa o Drums é o MySpace da banda, que tem extensão /thedrumsfo rever. O YouTube carrega os animados vídeos oficiais da banda, várias imagens de performances ao vivo e até filmagens de sessões de rádio com Pierce e seus amigos.

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