Elenco com ótimos atores justifica empenho do diretor

Crítica: Luiz Carlos Merten

O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2012 | 03h06

JJJJ ÓTIMO

JJJ BOM

Pelo método de produção, pelo tom, Reis e Ratos não se assemelha a nada que você tenha visto nos últimos tempos, e não apenas no cinema brasileiro, mas principalmente aqui. Uma paródia meio teutônica, cuja ironia você poderá captar e até lhe despertar algum sorriso, mas nada para gargalhar. O fato de não ser grave, não significa que o diretor Mauro Lima não esteja querendo dar um testemunho 'sério' sobre o golpe militar.

A questão é que, em Reis e Ratos, ele olha o mundo e o Brasil com o (ir)realismo do cinema, com o pé na produção B de Hollywood. E isso faz toda a diferença. Em Meu Nome não É Johnny, o tom era naturalista, como a interpretação de Selton Mello no papel do garoto de classe média que virou fornecedor de drogas para o high society do Rio.

Agora a falsidade domina, os atores estão sempre um tom acima. Reis e Ratos produz estranhamento, mas daí a chamá-lo de 'brechtiano' talvez seja um pouco exagerado. No entanto, há essa espécie de véu, como se, o tempo todo, ninguém quisesse disfarçar. Isso não é a vida. É o cinema.

Um ou outro diretor brasileiro tenta, mesmo que inconscientemente, imitar o estilo do cineasta norte-americano Roger Corman, um grande realizador de filmes 'B' (produções baratas que viraram cult), mas nenhum tenta reproduzir o método que fez do mestre do filme de baixo orçamento uma referência, além de modelo para os primeiros Coppola, Scorsese e quetais. Sejamos honestos. Reis e Ratos não é para todos os gostos, vai ter um monte de gente querendo apontar os 'furos' do filme. Mas Roger Corman, também não era. Das suas adaptações de Edgar Allan Poe, só duas ou três são boas. E ele só é grande, de fato, nos filmes de gângsteres - Massacre de Chicago e Os Cinco de Chicago (Bloody Mamma).

Você pode até não gostar de Reis e Ratos - estará no seu direito. Aliás, gostar ou não gostar é o de menos. O mais é conferir essa possibilidade de um outro cinema e, principalmente, as interpretações. Que Selton Mello, Rodrigo Santoro e Cauã Reymond são três dos melhores atores da nova geração você está careca de saber. Mas você os conhece no registro realista/naturalista. Aqui, eles fazem o que se chama de 'composições'. Na pior das hipóteses, Reis e Ratos é um presente do diretor para o seu elenco, e pelos atores vale ver, ora se vale, o novo Mauro Lima.

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