Elegância na premiação e um grande filme hoje

Foi a mais curta, elegante e até emocionante cerimônia de encerramento da Mostra em anos. Leon Cakoff e Renata de Almeida vestiram-se a rigor para a festa. O traje deu o tom da noite, no palco montado no pátio da Cinemateca Brasileira. Quando Partimos, de Feo Aladag, ganhou o Troféu Bandeira Paulista da edição de 2010, atribuído pelo júri internacional, mas pode-se preferir Beyond, de Pernilla August, que ganhou o prêmio especial.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2010 | 00h00

Mistérios de Lisboa, de Raúl Ruiz, venceu o prêmio da crítica, mas também se pode preferir o poderoso Carlos, de Olivier Assayas, que também ficou em segundo (com uma menção). Os críticos, coincidência ou não, preferiram os filmes mais longos - Mistérios tem 4h26; Carlos chega a 5h30.

Carlos Reichenbach ganhou o prêmio Itamaraty e foi emocionante ao revelar que anda dirigindo no escuro - como o personagem do filme de Woody Allen -, por conta de uma catarata nuclear. Mahamat Saleh Haroun, do Chade, ganhou o prêmio Humanidade e o longa dele, Um Homem Que Grita - que estreia dia 19 - é a prova de que merece.

A Mostra prossegue hoje e amanhã com a chamada repescagem, que dá ao público mais uma chance de assistir a grandes filmes. Nenhum é maior, neste sábado, do que As Quatro Voltas, de Michelangelo Frammartino, às 14 horas, no Cine Livraria Cultura.

Não acontece muita coisa. Ou melhor, acontece tudo, mas são coisas pequenas, gestos minúsculos aos quais não prestamos atenção. Uma vila da Calábria, um pastor que sente que está morrendo, o cabrito que dá seus primeiros passos, a árvore que muda segundo as estações, o formato das nuvens. Atribui-se muitas vezes impunemente o adjetivo genial. O filme de Frammartino é.

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