ELEFANTE ONÍRICO

Monique Gardenberg adaptou para o palco contos de Murakami, marcados pelo nonsense

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2013 | 02h10

Homens e mulheres comuns, triviais, desses que se vê todo dia. Assim são os personagens do escritor Haruki Murakami. Por isso, parte da crítica o descreve como "facilmente acessível". Sua linguagem, de fato, não fecha as portas a ninguém. Por trás de tanta trivialidade, porém, suas criaturas carregam sempre algo de nonsense. Como se tudo estivesse atravessado por lastros do realismo fantástico, da ficção científica, do folhetim.

É esse universo que o espetáculo O Desaparecimento do Elefante leva ao Teatro do Sesc Pinheiros a partir de sábado. Na peça, que chega a São Paulo depois de estrear no Rio, Caco Ciocler, Maria Luisa Mendonça, Marjorie Estiano, Kiko Mascarenhas e seus outros colegas de elenco interpretam quase 30 personagens, trafegam por situações de diferentes colorações e densidades. Na ficção de Murakami, as fronteiras entre o drama e o cômico se tornam fluidas e, mesmo quando convoca ao riso, ele não o faz sem um travo amargo.

São cinco os contos que Monique Gardenberg adaptou para o teatro do livro The Elephant Vanishes. Em sua trajetória como encenadora, ela se tornou conhecida por apresentar ao País dramaturgos importantes, como o canadense Robert Lepage, de Os Sete Afluentes do Rio Ota (2002), o norte-americano Neil LaBute, de Baque (2005), e o norueguês Jon Fosse, do qual estreou Um Dia, no Verão (2007). Agora, contudo, se lançou à tarefa de escrever para teatro tomando um autor que não parece, ao menos à primeira vista, afeito ao palco.

"Foi a primeira vez que fiz algo assim. É claro que existe sempre, em qualquer montagem, não importa qual o texto, uma dose de criação. Mas é muito diferente você transformar a prosa, pegar cenas soltas e organizar teatralmente", diz ela, que assina a direção ao lado de Michelle Matalon. "Significou uma libertação. Saber que se pode criar um texto não necessariamente teatral, que existe a possibilidade de ousar."

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