''Ele não é apenas um garoto bonito''

A fórmula é manjada: um galã descamisado cheio de músculos e boas intenções, uma garota de personalidade forte, um elemento sobrenatural que torture a relação amorosa entre os dois e, para finalizar, um belo cenário de natureza. Com elementos similares aos que bombaram a saga adolescente Crepúsculo, o drama A Morte e Vida de Charlie não tem vampiro, mas o ídolo teen Zac Efron, de High School Musical, à frente da história sobre um garoto de uma cidadezinha à beira do Pacífico que perde o irmão mais novo num acidente de carro, e passa a se comunicar com o espírito dele.

Fernanda Brambilla, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2011 | 00h00

O diretor Burr Steers reconhece que a exploração do universo fantástico ganhou novo fôlego na indústria do cinema. "Nunca houve tantos roteiros que abordam esse assunto, vampiros, criaturas, mortos que não estão realmente mortos", contou Steers em conferência de imprensa em Los Angeles (EUA).

Depois da recente parceria com Efron em 17 Outra Vez (2009), o diretor aposta no carisma do ator para lançá-lo em seu primeiro papel dramático, o de Charlie St. Cloud - um divisor de águas na carreira do galã. "No começo, você não espera muito de um garoto que veio da Disney, mas a maturidade de Zac me impressionou", diz Steers. "Olho para Zac e lembro de como caras como Leonardo DiCaprio e Johnny Depp começaram. Ele não é só um garoto bonito."

O ator aprendeu a velejar e ganhou 8 kg de músculos para o papel, mas alinha o discurso. "Foi um desafio deixar de lado a faceta divertida da minha personalidade e focar as agruras de Charlie", diz Zac, que se agarra à chance de dissipar o rótulo de ator de comédias. "Ainda não tive a chance de provar isso, mas quero mudar com o tempo."

Na trama, Charlie está ao volante com o irmão mais novo, Sam (o novato Charlie Tahan), a seu lado. No acidente, apenas Charlie é salvo. A culpa pela morte de Sam o corrói, e ele desiste dos planos, da faculdade e de seu barco, um hobby em comum com o irmão, para se dedicar ao cemitério da cidade, onde se isola. É lá que o espírito de Sam o procura, e eles fazem um pacto: todo fim de tarde se encontram numa clareira para um jogo de beisebol. Quando Tess, uma destemida velejadora interpretada por Amanda Crew, chega à cidade, encanta Charlie e põe em xeque o vínculo entre os rapazes. Amanda (de Ela É o Cara e Premonição 3) precisou encarar o medo do oceano para gravar no mar, mas seu maior susto foi deparar-se com uma multidão de fãs - histéricas por Efron. "Eram centenas de meninos e meninas. Gritaram tanto ao vê-lo que até parecia que os Beatles tinham chegado", conta a atriz.

A MORTE E VIDA DE CHARLIE

Nome original: Charlie St. Cloud. Direção: Burr Steers.

Gênero: Drama (EUA/2010, 99 minutos). Censura: 12 anos.

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