Ela sussurrou o som de uma época

Ela não cantava, sussurrava. Não dançava, acariciava o espaço. Quando ela surgiu, em meados dos anos 1970, havia muitas postulantes ao posto de Rainha da Disco Music (Gloria Gaynor, Diana Ross, Dee D. Jackson), mas Donna Summer era a mais quente, a mais sugestiva, a mais desafiadora. Tinha um ar distanciado e sua atitude contribuiu para, como disse o diário Los Angeles Times, construir a "trilha sonora de uma era de dança, sexo, drogas e roupas estilosas".

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2012 | 03h09

Cantando a balada McArthur Park (que vai progressivamente se tornando uma vertiginosa música de pista, como num "galope"), instaurou uma deliciosa subversão entre gêneros. O resto do recado ela dava com sua presença de orgulho black.

Entre 1975 e 1982, durante sua associação com o produtor e tecladista italiano Giorgio Moroder, o compositor britânico Pete Belotte e o reinado dos sintetizadores, ela antecipou em mais de duas décadas os pressupostos da house music. I Feel Love é ultramoderna, influentíssima. A mistura de Donna era a mesma das colegas (R&B, funk, rock, dance), mas o componente sintético a diferenciava.

Mesmo quando não esteve em seu auge, o eco ressoou longe. Scissor Sisters não existiriam sem ela. No Brasil, nos bailinhos da zona norte, os DJs Marky e Patife dominavam a pista quando tocavam Donna. Samples de seu trabalho estão em músicas do mundo todo, e até os sisudos Racionais MC's fizeram um tributo a ela, na canção Mulher Elétrica.

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