Ela surta na ioga, mas não no dentista

No GNT com a série Surtadas na Yoga, Fernanda Young debocha das críticas a O Dentista Mascarado, de sua autoria

O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2013 | 02h11

Faz um mês que Alexandre Machado, marido e parceiro de Fernanda Young na criação de séries para a TV, vem traçando sozinho o destino do dentista Paladino, papel que trouxe Marcelo Adnet ao primeiro time da Globo, com a série O Dentista Mascarado. Exatamente hoje, Fernanda encerra o expediente que a tem mantido fora de casa por 12 horas diárias: a gravação de Surtadas na Yoga, série também feita com Alexandre, em que ela também atua.

É a primeira série de ficção do casal para o GNT, canal frequentado por ela há 11 anos, desde o time original do Saia Justa. Não que Irritando Fernanda Young e Duas Histéricas, programa de viagem protagonizado por ela, não tivessem a mão de um bom roteiro. "Todos os programas que fizemos foram muito bem roteirizados", disse Fernanda ao Estado em brevíssimo intervalo de gravação de Surtadas, nos estúdios Quanta, no bairro da Vila Leopoldina, em São Paulo. A produção é da Conspiração Filmes e a direção, de Arthur Fontes, que se diverte com a encenação do enredo.

Em Surtadas, Fernanda é Jéssica, amiga de Ana Maria (Flávia Garrafa) e Marion (Anna Sophia Folchi). O trio vive momentos constrangedores na ioga, ao desviar o foco da aula para qualquer assunto cotidiano - do assalto na rua da academia à tatuagem de uma delas. Vai ao ar às quartas-feiras, às 23h.

"Eu e o Alexandre somos hinduístas. Faço ioga há anos e eu sou péssima aluna, implico, debocho. E olha que eu encontrei minha guru, medito, tenho filhos com nomes hindus, é fato, mas, inevitavelmente, se você sacraliza as coisas, elas são muito engraçadas." Certa de que o "humor traz respiro e alívio para a vida", decreta que "o importante é rir. Deus gosta."

Dentista. Assim como em O Dentista Mascarado, série que no último episódio caprichou nos termos escatológicos, Surtadas também inclui uma brincadeira com "pum", como diz Fernanda. Na série do GNT, Jéssica acusará um aluno gordinho de soltar gases.

"Eu não sou da piada escatológica, sou do erótico, do sexual, dos climas que rolam, esse é meu assunto. Já o Alexandre, e acho bom, inclui isso porque nós, que temos filhos pequenos, sabemos que esses assuntos são extremamente engraçados", diz Fernanda, mãe de quatro crianças. "Nós, adultos, é que vamos ficando engessados num pudor, e aquilo é de uma pureza, é uma bobagem, é infantil. Um assunto como pum é do repertório inevitável. No momento em que pum é desrespeito, eu não sei mais o que pode ser feito pelo humor nacional."

As críticas a Marcelo Adnet e ao seriado, fala, eram mais que previsíveis. As implicâncias, lembra ela, começaram nas mídias virtuais antes mesmo da estreia do programa. "A gente debocha, é previsível. O que não é previsível é alguém ter um olhar que não venha com todas essas camadas óbvias de expectativas, de implicância a priori." Para ela, mais fácil seria fazer qualquer coisa parecida com o que ele fazia na MTV. "Mas a gente propôs um corte absoluto e o público adora." E reconhece que o caminho dele, "inevitável, é trilhar seus próprios projetos e assinar por eles, porque ele escreve muito bem".

Coautora de Os Normais, Aspones e Macho Man, entre outras séries, ela se considera "muito saudável profissionalmente". "Não dou trabalho, não tenho exigências, sou acessível, não gosto de confusão e odeio grosseria. Trabalho é um casamento sem sexo: se você não mantiver a ética, a estética, o ânimo e a doçura, pode ser uma relação infernal." / C.P.

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