Alex Carvalho/TV Globo
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''Ela é uma pistoleira''

Mariana Ximenes, a Clara de Passione, jura que a vilã nunca a enganou

Patrícia Villalba / RIO, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2010 | 00h00

Mariana Ximenes diz que não sabia que a Clara de Passione, lá pelo capítulo cem, deixaria de ser má para parecer boa e, capítulos mais tarde, se mostraria de novo má. Foi melhor assim, analisa a atriz, para que seu desempenho não fosse contaminado e pudesse soar como uma boazinha mais convincente. "Não sabia mesmo o que o Silvio (de Abreu, o autor) estava reservando, então eu lia as cenas e fazia cada uma como se fosse única. Procurava me concentrar na verdade daquela cena, e no que ia acontecer no curto prazo", explica a atriz, em entrevista ao Estado. "Optei por interpretar sem tomar partido, premeditar ou dar indícios de qualquer coisa, para que o Silvio pudesse dar o rumo que quisesse para a história."

 

Veja mais: Entrevista com o autor Silvio de Abreu

Clara é ótima atriz, costuma dizer Mariana, também ótima atriz. É dessas mulheres capazes de se transformar no desejo do freguês, iludir, e então dar o bote. Foi assim com o herói da novela, Totó (Tony Ramos), que foi traído e perdoou. E também com o público, que torceu pela regeneração da "malafemmena", e acabou enganado, como um dos personagens da novela.

Como se sabe, numa das reviravoltas da trama, Clara foi desmascarada, presa e parecia ter se arrependido. Mas agora, na reta final, depois de reconquistar Totó, a vilã deixou ver que é a mesma e já planeja a morte do bondoso marido, o que deve agitar a novela que chega à reta final - o último capítulo vai ao ar no dia 14. Mais do que um vaivém folhetinesco, a manobra para brincar com o público teve um objetivo escondido, explica Silvio de Abreu. "Clara nunca foi boa, por isso só poderia se transformar em uma boa pessoa por milagre. E como Passione não é uma novela religiosa, abdiquei dessa possibilidade", escreve o autor, por email. "O que eu pretendia, e consegui, com a fase "boa" da Clara foi fazer o público ser enganado por ela, assim como ela enganou o Totó e aí uma grande maioria caiu na mesma armadilha que ele e parou de criticá-lo. É muito perigoso quando se dá mais informação ao público do que aos personagens, a tendência da audiência será sempre de criticar os que sabem menos do que ela.

Mesmo sem ter certeza se, à certa altura dos acontecimentos, representava a vilã ou, de fato, nova mocinha da história, Mariana não acreditou na fase "gata borralheira". "Num momento, eu até pensei "nossa, ela vai virar mãe de família...", porque as cenas eram muito verdadeiras e viscerais", conta. "Até eu embarquei, mas foi por um breve momento. Ela é uma vilã, e vilã é vilã."

Torcida. Silvio de Abreu anota que apesar do título, Passione "não é uma novela romântica". Mas foi ele mesmo que, embalado pelas canções napolitanas e o sol alaranjado da Toscana, fez o público pensar que embarcava num melodrama bem açucarado. E, criado o clima, era inevitável que o público começasse a torcer pelo casal Clara e Totó - por isso, foi tão fácil acreditar na regeneração dela. "Clara é uma personagem fascinante. Mas dizer que gosta dela, faz com que a pessoa se identifique com uma personagem negativa e isso incomoda", analisa o autor. "Logo, se ela ficasse boa as pessoas poderiam se sentir mais justas gostando dela."

Para Mariana, entretanto, que teve seu rostinho de anjo sempre a serviço das boas e nobres, é mais divertido agora, com a "biscate" fora do armário. "Acho que eu guardava um desejo de que ela voltasse com a vilania. Só não esperava que fosse assim, com força total", admite a atriz. "É mais divertido e mais diferente de tudo o que eu já fiz. Adorava o início, quando ela era muito irreverente, e eu tinha umas cenas bem bagaceiras com o Fred (Reynaldo Gianecchini). Eram jogos cênicos muito interessantes."

Pelo pouco que tem saído às ruas nos últimos dias, coisa rara por causa do ritmo acelerado das gravações, Mariana conta que já deu para perceber que o público ficou bem bravo com essa nova reviravolta da novela. "As pessoas me dizem "não vai matar o Totó, hein...". Estou morrendo de medo de como vai ser a reação depois de tudo o que ainda pode acontecer", observa a atriz. "É muito bacana ver como a novela mexe com as pessoas e provoca discussão. Pra nós, que fazemos, também é muito gostoso ficar sabendo o que vai acontecer. Quando a gente recebe um capítulo com uma "cena secreta" é muito gostoso!"

 

Escola de "piriguetes"

 

Laura

 

Foi na novela Celebridade, de 2003, que Claudia Abreu fez Maria Clara Diniz (Malu Mader) comer o pão que o diabo amassou. E tinha o motorista Marcos como amante e faz-tudo. Pérfida.

 

Nice

 

 

A avó de todas as ‘piriguetes’ foi a babá Nice (Suzana Vieira) em Anjo Mau (1976), que mentia, humilhava a mãe, dava rasteira na patroa, usava o irmão como boi de piranha. Já teve remake.

 

Maria de Fátima

 

 

Essa foi tão ruim que virou até sinônimo de patifaria. Gilberto Braga se superou com Maria de Fátima (Glória Pires), e Vale Tudo (1988) virou a novela cult eterna da Hollywood tupiniquim.

 

Dóris

 

 

Maus-tratos de Dóris (Regiane Alves) nos avós em Mulheres Apaixonadas (2003) a tornaram a vilã mais odiada das novelas de Manoel Carlos - repetiu a perfídia em três novelas dele.

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