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El Arranque, entre a tradição e a vanguarda

De volta ao Auditório Ibirapuera com novo cantor, orquestra argentina faz um apanhado de sua discografia, celebrando 15 anos de bem-sucedida carreira

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

Uma das mais brilhantes orquestras típicas do novo tango argentino, El Arranque está de volta ao Auditório Ibirapuera para celebrar os 15 anos de carreira, de hoje a domingo. Além de fazer um apanhado do repertório de todos os seus álbuns, mesclando tangos clássicos e composições próprias, a orquestra toca vários temas do álbum que dividiu com Leopoldo Federico, em 2010, todos raros ou inéditos de autoria desse mestre, o bandoneonista predileto de Astor Piazzolla. A grande novidade no som do grupo é a recente aquisição do cantor Juan Villareal. "Juan é fino, elegante e emotivo, será sem dúvida a grande surpresa de 2011", diz o contrabaixista e diretor musical da orquestra, Ignacio Varchausky.

O músico promete tocar temas clássicos "que os brasileiros desfrutam". Ele concorda que, como no caso do choro brasileiro e da música clássica, é muito difícil hoje o público assimilar novidades no tango, preferindo sempre o que já conhece. Por isso El Arranque procura um equilíbrio entre o tradicional e o experimental. "Sem dúvida, as pessoas sempre querem ouvir seus clássicos favoritos, e é compreensível. Quantas vezes se tocam as sinfonias de Beethoven por ano? Muitas. Por isso o artista tem o desafio e a obrigação de criar o espaço, o contexto e o interesse para apresentar uma obra nova", diz Ignacio, que considera o público paulistano "fantástico" e "entusiasta".

"É muito difícil isso de "só toco meus temas e o público não me importa", mas se a gente encontra um equilíbrio entre o clássico e o novo, o público agradece e celebra. O melhor exemplo nos deu Duke Ellington, músico do mais alto nível que soube entreter milhões de pessoas, combinando tradição e vanguarda em cada show."

Sobre o interesse dos jovens sobre o tango, ele diz que hoje "poderíamos dizer que há uma noção mais profunda do valor do tango clássico como arte e seu vínculo com a identidade argentina". "Além disso, a perspectiva histórica fez com que nossa geração pudesse valorizar a música dos anos 1940 e 50 com menos preconceito que a geração de nossos pais", diz Ignacio. "Mas é compreensível. Por acaso não são sempre os filhos os que se rebelam diante do mundo de seus pais e são os netos os que resgatam a figura de seus avós com uma visão romântica?"

Bibi e Marsalis. Em 2010 El Arranque esteve aqui tocando com a atriz e cantora Bibi Ferreira. "Bibi é a artista mais incrível que vi na vida", diz Ignacio, que considera a experiência extraordinária. "Aprendi muito no processo de produzir seu disco de tango."

Outro nome de peso em sua história é Wynton Marsalis, que os convidou para tocar em Nova York em 2001. "Wynton é um ícone da boa música, muito além do jazz em si. O simples fato de que ele se interesse pelo tango tem implicações muito positivas, como criar novo público e valorizar o tango como gênero elaborado e sofisticado", diz Ignacio. "Foi uma experiência fundamental na carreira de El Arranque. Depois daqueles concertos no Lincoln Center demos um salto que nos ajudou a crescer no aspecto artístico, no profissional e no pessoal." Este ano a orquestra pretende gravar um DVD ao vivo, para celebrar os 15 anos de carreira.

EL ARRANQUE

Auditório Ibirapuera. Portão 2 do Parque do Ibirapuera, 3629-1075. Hoje e amanhã, 21 h, dom. 19 h. R$ 30 e R$ 15 (meia entrada)

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