Edu Lobo e sua alcateia

No Sesc Santos, o cantor fez show arrebatador só com craques. Hoje e amanhã ele canta em São Paulo

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2010 | 00h00

Na tarde de quarta-feira, em São Paulo, Edu Lobo contou que, com o aneurisma sofrido em 2004, deixou de compor por um bom tempo e desanimou da vida. Logo depois, emendou que a tristeza havia ficado no passado e que, agora, até de fazer shows ele andava gostando. Depois de se apresentar no Rio, ele retornou aos palcos de São Paulo anteontem, no Sesc Santos.

Um dia antes, ele tossia muito. A superação foi para o auditório na quinta, com ressalvas. Depois de abrir o show com um de seus clássicos, Vento Bravo (parceria com Paulo César Pinheiro), Edu justificou-se. "Queria agradecer ao doutor Clemente Ribeiro de Almeida. Ontem eu tossi tanto que devo ter acordado uma ala inteira do hotel, não sei nem como estou aqui hoje."

No palco, o violão escorado no suporte do começo ao fim da apresentação. O compositor já se recuperou da fratura no braço em setembro, mas tem gostado de concentrar-se no canto, deixando as cordas para o impecável Lula Galvão. Aos 66 anos, Edu é como Romário na segunda metade da carreira, quando passou a se poupar e a usar o que tinha de melhor na hora certa. Em parte pela tosse, mas hoje usa a voz com inteligência, chegando até a alterar a divisão de alguns fraseados de seus temas.

Do disco novo, Tantas Marés, apenas duas músicas foram deixadas de fora, Senhora do Rio (Domínio Público) e Primeira Cantiga (com PC Pinheiro). Dos outros, o público pôde escolher. Algumas, como Ode aos Ratos e Angu de Caroço, foram apresentadas de maneira ainda mais quente que no disco. Sem contar Dança do Corrupião, um baião todo quebrado, com reforço da zabumba do percussionista Mingo Araújo, e A História de Lily Braun, com um improviso expressivo de Carlos Malta no sax soprano. Ao fim do show, no camarim, a pergunta: "Malta, estava com o diabo no corpo?" Ele respondeu: "Nada, estava com o Lobo mesmo. Tocar com esses caras é fácil, só tem camisa 10. Dá até pra jogar contra o Santos", brincando com o time que vem encantando a todos liderado por Neymar e Paulo Henrique Ganso.

Os companheiros a que Malta se referia são craques mesmo. Cristóvão Bastos, que arrebatou o público com clássicos mais dolentes, como Pra Dizer Adeus (com Torquato Neto), Choro Bandido e Beatriz (com Chico Buarque) e Canto Triste (com Vinicius de Moraes) e nos mais pegados, como Ponteio (com Capinan). Completando o sexteto, Alberto Continentino (baixo acústico) e Jurim Moreira (bateria) fizeram uma "cozinha" segura durante 1h30 de um show encerrado em louvação à atemporalidade das composições ainda modernas de um pernambucano chamado Eduardo de Góis Lobo.

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