Edu, coração de poeta

Só faltou Chico Buarque a completar-lhe as histórias. Edu Lobo emocionou a plateia que encheu o Instituto Moreira Salles na noite chuvosa de anteontem para ouvir e saber mais sobre O Grande Circo Místico.

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2011 | 00h00

Gravado com orquestra, o LP de 1983 (relançado em CD), com o repertório da peça baseada no poema surrealista de Jorge de Lima de 1938, é marco do início da parceria dos dois.

No IMS, foi recriado com Edu ao microfone, Cristóvão Bastos ao piano e Carlos Malta nas flautas e saxofones. O show fez parte da série do IMS que já homenageou Monarco e a dupla Wilson Moreira e Nei Lopes.

Bastaram 26 minutos para que todos os ingressos para o pequeno auditório (130 lugares) se esgotassem. Mais cem fãs assistiram num telão. Até o último minuto, funcionários corriam para conseguir outros assentos.

Edu deliciou os presentes com relatos sobre a criação de temas que, letrados por um inspiradíssimo Chico, se tornaram clássicos, e seguem sendo regravados: Ciranda da Bailarina (música "pobrinha e bobinha", cuja letra o faz rir até hoje), A História de Lily Braun ("foi Chico quem inventou a história da personagem na letra"), Opereta do Casamento ("se você for cantar essa letra no Arpoador, ninguém vai entender nada..."), Beatriz ("uma obra-prima de letra").

Instado a revelar como se dá seu processo de criação, na conversa com o jornalista Hugo Sukman, ele jurou não ter explicações a dar sobre as melodias das valsas e baladas do disco - saudado por Aldir Blanc como "o mais bonito do século 20". "Ele é meu parceiro...", relativizou Edu. Citou o ídolo Bernstein, falou das festas de Vinicius e da necessidade de ter sempre músicas novas a carecer de letras. "Se eu achar que tenho um método, não consigo mais fazer música", explicou.

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