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Édouard Lock cria para a SPCD

Cia. paulista faz estreia mundial de 'The Seasons', obra que mescla balé clássico e técnica contemporânea

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2014 | 02h09

Uma coreografia de luzes. Assim se pode resumir a proposta de Édouard Lock, artista canadense que concebeu The Seasons. Criada sob encomenda para a São Paulo Cia. de Dança, a obra fará sua estreia mundial em Campinas, no próximo dia 26, traz as marcas que notabilizaram o coreógrafo: Os movimentos intensos e precisos. A transfiguração que opera no balé clássico. O uso intenso da luz, com centenas de mudanças para recortar os gestos dos bailarinos. "Geralmente pensamos no poder que a luz tem de revelar. Mas é interessante a forma como ela também oculta. E, para cada parte que o público não vê, é preciso imaginar. Isso o leva a ter uma participação mais ativa", comenta Lock, que cria seu primeiro trabalho no Brasil, mas já havia passado pelo país nos anos 1980 e 90 com a sua própria cia., a afamada La La La Human Steps.

Para essa proposta de iluminação tão minuciosa, cada mínimo movimento da coreografia precisou ser fotografado. Criou-se, assim, uma imensa partitura que desse conta das incontáveis trocas de luz previstas.

Para o artista, que atuou como cineasta, o recurso cumpre ainda uma outra função: "conceitos como zoom e close não existem apenas no cinema. São formas naturais de percepção, que independem da câmera. Quando você coloca uma luz instável no palco, está encorajando isso."

Mais um dado crucial no processo criativo de Lock é a música. Por muito tempo, ele teve Frank Zappa como parceiro. Lou Reed também já foi seu colaborador. E, há mais de 15 anos, conta com as criações do britânico Gavin Bryars.

Em The Seasons, a dupla repete o expediente utilizado em Amjad (2007). À época, transfiguraram peças de Tchaikovsky, como O Lago dos Cisnes e A Bela Adormecida. Agora, são os clássicos concertos de Vivaldi para violino e orquestra que embasam o trabalho. A partir de As Quatro Estações, Bryars concebe uma versão particular, que guarda semelhanças com o original, mas também delimita suas diferenças. "Minha ideia é pegar algo reconhecível e trazer alterações para criar o desconhecido", observa Lock. "Mesmo um público que não é familiarizado com a música clássica, conhece As Quatro Estações e já a ouviu em diferentes contextos. Me encanta essa situação em que o público acha que conhece, mas não conhece. Cria-se essa tensão." Para acentuar a experiência, cinco instrumentistas do conjunto Percorso Ensemble - formado por dois violoncelos, duas violas e um contrabaixo - acompanham a SP Cia. de Dança ao vivo.

A maneira como o coreógrafo se serve do repertório da dança não é muito diferente do que seu parceiro faz com a música. O balé clássico também surge com as feições modificadas em The Seasons. Um pas-de-deux dançado na ponta dos pés pode até sugerir uma visita ao passado. Mas não é disso que se trata. Antes, propõe-se um jogo em que diferentes memórias são amalgamadas. "Balé clássico é algo que as pessoas pensam que dominam Mas, não. Então, se colocamos símbolos históricos, como o balé e como essa música, é possível criar algo que seja novo e imprevisível para a plateia", diz o criador, que fundou a La La Human Steps, em 1980, e já assinou obras para companhias, como a Nederlands Dans Theater e o Ballet de L'Opéra de Paris.

Os doze movimentos previstos no original de Vivaldi marcaram a criação da coreografia, que oscila momentos de suavidade e languidez com instantes de grande velocidade e virtuosismo técnico. Em cena, os bailarinos sucedem-se em solos, duos e trios.

A estreia ocorre agora em Campinas, mas a nova coreografia só deve chegar a São Paulo em novembro.

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