'Editoras matam a imaginação'

Em seu novo livro, La Ciudad de las Palabras (A Cidade das Palavras), o escritor argentino Alberto Manguel ataca os grandes grupos editoriais que tratam a literatura como "produto de supermercado", afirmando que essas editoras são culpadas de crime contra a humanidade.

Ana Mendoza EFE MADRI, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2010 | 00h00

"Seria necessário um tribunal internacional para julgá-las, porque estão matando a imaginação, a criatividade e transformando o leitor num consumidor de lixo", disse o escritor.

O conjunto de ensaios reunidos na obra tem o significativo subtítulo de Mentiras Políticas, Verdades Literárias e é resultado de série de conferências que o escritor proferiu no Canadá, num ciclo de palestras do qual participaram autores como Doris Lessing, Margaret Atwood e Carlos Fuentes.

Ao longo de 180 páginas, Manguel reflete sobre a relação da literatura com o mundo e faz perguntas, para as quais muitas vezes não tem resposta, entre elas como a ficção contribui para uma compreensão de nós mesmos e dos outros e se ela pode ajudar a mudar o mundo.

O autor de Uma História da Leitura (Companhia das Letras), seu livro mais famoso, é uma pessoa tranquila mas, ao ver algo errado, fala sem rodeios. E o faz com uma cultura refinada, cultivada na imensa biblioteca de 35 mil livros de sua casa em Mondion, França.

Para ele, os escritores devem passar por longos períodos de observação e reflexão, para "criar uma literatura que ilumine o seu tempo, lançando luz sobre o passado e o futuro, como lembrança ou como advertência". / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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