Edith Derdyk inagura exposição na Galeria Marilia Razuk

Artista parte de processos aparentemente simples de repetição e acumulação

Agencia Estado

02 de julho de 2007 | 09h22

Edith Derdyk inaugura nesta sexta-feira, 28, ànoite, mais uma exposição na cidade. Depois da Pinacoteca doEstado e do Espaço Porto Seguro de fotografia, onde já estãoexpostos trabalhos de sua autoria, chegou a vez de a artistarealizar uma terceira mostra na Galeria Marilia Razuk, Dos Dias,e ampliar ainda mais as possibilidades de leitura de seutrabalho. Partindo de processos aparentemente simples derepetição e acumulação, explorando materiais de grande potênciasimbólica como o papel, a linha e o livro, e lançando mão dediferentes procedimentos técnicos (fotografias, objetos,instalação...), ela acaba por criar uma trama potente de imagense significados.Ao entrar na galeria, o visitante se depara com uma grandeescultura feita de milhares de folhas de papel sobrepostas ecomo que cortadas por uma grande lâmina de aço. A peça tem umgrande parentesco com a escultura que ocupa o octógono daPinacoteca atualmente e que pesa em conjunto cerca de 3,5toneladas, o que acabou inviabilizando planos anteriores deexibi-la no prédio da Estação Pinacoteca, simplesmente porque aestrutura do prédio não agüentaria. Prova incontestável de que o peso real da obra não tem nenhumarelação com o efeito de leveza e movimento que ela causa. Levezaessa que está diretamente relacionada com o caráter instável ealeatório da obra, cujas curvas, vazios e linhas desenhados pelasuperfície e pelas laterais do papel têm um ritmo e umafreqüência únicos e irrecuperáveis.Quer dizer, irrecuperáveis se pensarmos no processo deconstrução e permanência do objeto, já que seria impossívelrepetir de forma igual o comportamento, ritmo e seqüência comque as camadas de papéis se depositam umas sobre as outras. Mashá outras formas de fixar aquele equilíbrio tênue entre asuperfície do papel, o traço da linha e o volume formado pelasfolhas dispostas em camadas: os registros fotográficos queconstituem um dos desdobramentos mais recentes explorados pelaArtista. Fotografia Como é possível notar tanto na exposição da Galeria MariliaRazuk como na do Espaço Porto Seguro, a fotografia passou a teruma importância central no trabalho, seja como elemento de fundo receptáculo da gravura em ponta seca, seja como elemento decostura entre os elementos e objetos recorrentes em sua poética,com um grande destaque para o livro. Talvez sejam os livros os grandes objetos de eleição da artistaneste momento. Afinal, de certa forma cabe a eles estabeleceruma ponte lógica e sentimental entre os vários rumos de sua obra, corporificando simultaneamente a linha e o volume, o texto e osímbolo, o objeto e a narrativa. Ao mesmo tempo encerrando e compartilhando segredos, o que porsi só já é elemento de grande fascínio, eles entram na obrarecente de Edith Derdyk com grande força, como matéria-prima,fonte de inspiração e obra propriamente dita, já que ela acabade lançar uma publicação resumindo de forma bastante poéticaseus últimos 15 anos de trabalho e já tem planos para outroslivros de arte. Edith Derdyk. Marilia Razuk Galeria de Arte. RuaJerônimo da Veiga, 62, lj. 2, tel. 3079-0853. 2.ª a 6.ª, 10h30às 19 h; sáb., 11 h às 15 h. Até 11/8. Abertura hoje, 19h30

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