YOUTUBE/ Dante Mantovani
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Edital de incentivo a bandas da Funarte veta rock e é criticado

O atual presidente da entidade, Dante Mantovani, já disse que 'o rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa a indústria do aborto'; Funarte diz que o veto já foi utilizado em anos anteriores

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

23 de janeiro de 2020 | 13h23
Atualizado 23 de janeiro de 2020 | 17h56

RIO - Um edital divulgado pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) para anunciar o Prêmio de Apoio a Bandas de Música chamou a atenção por proibir a participação de alguns tipos de banda, incluindo as de rock. Nas redes sociais, muitas pessoas estão apontando possível preconceito contra o estilo musical - isso porque o atual presidente da entidade, Dante Mantovani, já disse que “o rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa a indústria do aborto". A Funarte, no entanto, diz que o veto já foi utilizado em anos anteriores e alega que a premiação é dedicada apenas a bandas consideradas “tradicionais”.



O edital foi publicado nessa quarta-feira, 22, e prevê recursos de R$ 5,47 milhões.  Ao todo, 158 projetos deverão ser contemplados. Segundo o texto, a intenção é “premiar conjuntos musicais denominados ‘Banda de Música’, ‘Banda Municipal’, ‘Banda Sinfônica’, ‘Banda de Concerto’, ‘Banda Filarmônica’, ‘Sociedade Musical’ e ‘Orquestra de Sopro’”.

Um dos itens do edital também deixa claro quem não poderá concorrer. Além de grupos que tenham sido beneficiados por emendas parlamentares ou programas estaduais nos últimos dois anos, o veto se estende “a ‘fanfarras’ ou ‘bandas marciais’ ligadas ou não a instituições do ensino regular público ou privado, ‘bandas de pífanos’, ‘bandas de rock’, ‘big-bands’, bem como conjuntos musicais assemelhados, conjuntos musicais de instituições religiosas, bandas militares e bandas de instituições de segurança pública”.

Procurada pelo Estado para comentar os vetos, principalmente após críticas de Mantovani ao rock, a Funarte declarou que o edital é semelhante ao apresentado em edições anteriores do Prêmio.

“A redação atual é quase igual nas três versões anteriores, 2007, 2010 (Procultura) e 2012, não sendo absolutamente uma novidade da gestão Dante Mantovani. A redação desse item sempre visou apenas a evitar confusão com outros tipos de bandas, não somente as de rock. Estas, como outros tipos de bandas diferentes das bandas civis ‘tradicionais’, nunca foram incluídas nesse prêmio”, diz trecho da nota.

O Estado checou os editais de 2010 e 2012. O de 2010 exclui "as tradicionais 'bandas de pífanos' e as chamadas 'bandas de rock' e 'conjuntos musicais de instituições religiosas', 'bandas militares e de instituições de segurança pública', 'fanfarras' e 'bandas marciais'". O de 2012 diz:  "não poderão participar deste edital 'fanfarras' ou 'bandas marciais' ligadas ou não a instituições do ensino regular público ou privado, 'bandas de pífanos', 'bandas de rock', 'big bands', orquestra de sopro, bem como conjuntos musicais assemelhados, conjuntos musicais de instituições religiosas, bandas militares e bandas de instituições de segurança pública".


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A entidade também negou qualquer tipo de preconceito. “Além disso, ‘bandas de música’ sempre foi considerada pela Funarte como uma linguagem musical específica, distinta das demais. As bandas tradicionais realizam, em milhares de municípios brasileiros, um trabalho de formação musical, que qualifica artistas para orquestras”, prossegue o texto. “A Funarte nunca teve, não tem e nunca poderá ter preconceito contra nenhum estilo musical - como se espera de uma instituição federal de Estado.”

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