Ediouro relança "Guia de Ouro Preto" de Bandeira

Em meio à avalanche de literatura sobre turismo, em sua maioria insossa e repetitiva, um pequeno, desprentesioso e magnífico livrinho acaba de fazer sua reestréia no mercado editorial. Guia de Ouro Preto, de Manuel Bandeira (Ediouro, 124 páginas - R$ 23,90), andava sumido das prateleiras e mesmo em sebos era difícil encontrá-lo. Publicado pela primeira vez no fim da década de 30, agora ele volta em edição bem cuidada e acrescido de fotos em preto-e-branco de Luís Augusto Bartolomei. Manuel Bandeira dispensa apresentações, mas é bom lembrar que seu entusiasmo pela antiga capital de Minas era compartilhado por sua geração, sobretudo, após a visita e redescoberta do barroco pelos modernistas de São Paulo. O passeio do poeta pelas ruelas e ladeiras da cidade começa com um mergulho na sua história e, mesmo fiando-se em relatos pouco rigorosos e historicamente deficientes como os do jesuíta Antonil, o leitor desfruta e desculpa as licenças e vôos pelas lendas e mistérios de Vila Rica. A primeira delas lembra o escravo de uma bandeira que teria achado um punhado de granitos pretos que, mais tarde polidos, se revelaram o mais puro ouro. Bandeira não pretendia escrever a história de Ouro Preto, mas orientar saborosamente os turistas sobre as suas jóias. Há uma ponta de remorso quando ele compara a cidade mineira à sua Olinda. Ao contrário desta, a primeira manteve sua arquitetura colonial intacta, não em razão de uma consciência preservacionista dos seus habitantes, mas pela decadência econômica causada pelo esgotamento da atividade mineradora. Depois da promenade histórica, o poeta lança rápidos olhares sobre Aleijadinho e Tiradentes, as "duas grandes sombras de Vila Rica". Chega então a hora de o turista, com o guia nas mãos, percorrer os roteiros sugeridos pelo poeta, que começam pelo Hotel Tóffolo na Rua Tiradentes, onde ele provavelmente se hospedava na década de 30. Percorre-se todo o centro a pé, parando para contemplar a Casa dos Contos, a Câmara e Cadeia, o Palácio dos Governadores e os tesouros artísticos e arquitetônicos das inúmeras igrejas. Essas últimas merecem um capítulo à parte no guia. Depois, pode-se pegar o carro e subir para visitar os bairros das Cabeças e do Padre Faria, ou ainda ir às vizinhas Mariana e Congonhas do Campo. A atual edição foi preparada pelo jornalista Jorge Moutinho, que lhe acrescentou dados atualizados, como mudanças de nomes de ruas, e ajuntou informações úteis aos turistas, como listas de hotéis, horários de igrejas e datas históricas. Para quem planeja visitar a Cidade dos Inconfidentes, o pequeno guia de Manuel Bandeira dá uma goleada em tudo o que se escreveu no gênero até hoje.

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