Edição como arma de sua Grande Arte

É o cinema a área de formação e atuação de Harun Farocki, que vive e trabalha em Berlim. Nascido em 1944 em Nový Jicin ou Neutitschein, território da República Checa anexado à Alemanha, ele se formou na German Film and Television Academy na parte ocidental da capital alemã quando a cidade ainda era dividida. Desde a década de 1960, já produziu mais de uma centena de obras, tanto para a televisão como para o cinema, filmes-documentários, ensaios e roteiros.

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2010 | 00h00

Harun Farocki também tem um grande trabalho na reflexão, autor de textos - entre 1974 e 1984, por exemplo, foi editor do jornal Filmkritik, em Munique, na Alemanha - e ainda ao ensino, já que desde 2006 é professor da Academy of Fine Arts de Viena, na Áustria.

A partir da década de 1990, começou a participar do cenário das artes visuais, realizando exposições, tanto coletivas como individuais, em museus e galerias. Em 2004, apresentou uma retrospectiva de sua obra no Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, na Espanha. Como a crítica de arte americana Rosalind Krauss ressalta, a especificidade do suporte técnico usado por Farocki que o liga ao segmento dos principais artistas em atividade é sua capacidade de edição. Rosalind completa ainda que Farocki é dos criadores que consegue driblar a crise de um cenário artístico dominado pelas questões de mercado, criando uma obra "contra a ditadura do cubo branco".

Político. Já para o conservador-chefe do Departamento de Artes Gráficas do Museu do Louvre, Régis Michel, que também em palestra em São Paulo incluiu Farocki como um grande artista atual, para além da vertente dos "filmes de arte", o alemão se destaca por criar trabalhos com "imagens fortes, importantes pelo seu conteúdo político, narrativo, poético". Monitores de segurança já foram tema de sua obra, assim como a guerra, a cultura, a tecnologia e o entretenimento, tudo sempre aliado à questão da produção e da percepção.

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