Eddie Murphy é o melhor desta comédia

Mas o público poderia reclamar por ele fazer somente 'meio turno' em Roubo nas Alturas

O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2011 | 03h10

Talvez seja bom esclarecer, de saída, para que o espectador não se impaciente em Roubo nas Alturas. O melhor do novo longa de Brett Ratner está reservado lá para o meio. É quando entra em cena o personagem interpretado por Eddie Murphy. Eddie quem? Brincadeirinha. Nos últimos anos, o tira da pesada levou o que pode se definir como uma carreira errática. Após o sucesso inicial, Murphy perdeu o rumo encarnando galãs ou contracenando com animais, quando não com ele mesmo, escondido por trás de inúmeras máscaras (na série O Professor Aloprado).

Roubo nas Alturas não é exatamente uma novidade, como comédia de ação. Como em qualquer um dos episódios de outra série - Onze Homens e Um Segredo, o remake de Steven Soderbergh -, o plot é uma história de vingança. Milionário sem escrúpulos, que habita uma torre inspirada na Trump Tower, em Nova York, rouba os funcionários do local. O grupo heterogêneo é liderado por Ben Stiller e inclui Matthew Broderick. Resolvem se vingar, dentro do princípio que diz que quem rouba ladrão tem perdão. O problema é que Alan Alda, o milionário, se beneficia da extraordinária segurança que o prédio oferece. Os lesados não se intimidam e resolvem seguir em frente com seu plano, mas necessitam de um 'especialista'.

Como são ladrões amadores, recorrem a um profissional - interpretado por Eddie Murphy, que está saindo da cadeia. Ele entra em cena com seu charme mais cafajeste, encarnando, de novo e à perfeição, o tipo do malandro trambiqueiro que lhe cai como uma luva. Brett Ratner não é exatamente um grande diretor, pode ser que não seja nem mesmo um bom diretor. Mas ele teve tempo de se exercitar na comédia de ação com a série A Hora do Rush, estrelada por Jackie Chan, com o reforço de Chris Tucker. Lá eram policiais, aqui são os funcionários honestos que precisam se improvisar em criminosos para reaver o que é deles.

Se a direita norte-americana viu em Os Muppets uma tentativa de ressuscitar o comunismo - com Caco e Miss Piggy enfrentando outro milionário inescrupuloso -, admira que não tenha protestado contra os trabalhadores que, aqui, desestabilizam a relação (de dominação) do capital.

É verdade que, em matéria de ação na torre, Missão Impossível - Protocolo Fantasma, que estreia amanhã, é imbatível, mas há uma certa Ferrari pendurada nas alturas e... Eddie Murphy. Ele é muito engraçado e, conforme vem declarando em sucessivas entrevistas, encontrou em Brett Ratner um diretor que deu carta branca ao elenco para improvisar, e depois tratou de aproveitar o melhor dessa improvisação. OK, Roubo nas Alturas não é nenhuma maravilha, mas vai ser difícil não rir. / L.C.M.

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