Ecochatos? Não é bem assim

Um ciclo de debates em meio a um festival de música, com início às 12 h, enquanto a maior parte das pessoas ainda começa a se recuperar do dia anterior. Tinha tudo para dar errado. Mas a impressão inicial foi sepultada logo no primeiro dia, quando a reportagem do Estado teve de ficar de fora porque a lotação da tenda (mil pessoas) estava esgotada.

Nicola Pamplona, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2010 | 00h00

No dia seguinte, a casa já estava cheia de novo. Muita gente nas arquibancadas e no chão da tenda para assistir às apresentações de especialistas brasileiros e internacionais no tema.

"A gente veio de São Paulo mais para o fórum mesmo, vamos ficar só um pouco para os shows", disse Dalca Teixeira, jornalista de Belo Horizonte. Ela e a amiga Tatiana Garcia planejavam pegar a estrada de volta à capital mineira ainda de dia, abrindo mão das principais atrações da noite. O interesse das duas foi atraído pela qualidade dos palestrantes, disseram. Na lista, estavam 44 personalidades, do Brasil e exterior. "Estou muito motivado por ver tantos jovens aqui, porque são vocês que vão contribuir para as mudanças", disse Wadw Watson, cofundador da Pride Diamonds, que trabalha com pequenos mineradores de Serra Leoa.

A ideia do evento era mostrar experiências e disseminar práticas sustentáveis entre os participantes, aproveitando o marketing ecológico do festival. O recado de forma resumida era: com pequenas atitudes, você pode fazer a diferença. Entre os exemplos mostrados no domingo, estava a Terracycle, uma rede mundial de coleta de lixo para a transformação em outros produtos de uso diário; ou a estilista Linda Loudermilk, que prega um consumo de roupas mais consciente - "Se você compra um jeans de US$ 10 é certo que alguém está ganhando muito pouco para produzi-lo."

Como atração principal, o ex-baterista e compositor de O Rappa, Marcelo Yuka, que ficou paraplégico após levar nove tiros em uma tentativa de assalto e hoje toca projetos sociais em presídios no Rio. Ovacionado pelo público, Yuka falou sobre exclusão social. "Não acredito que as palestras provoquem novas atitudes, mas certamente a semente foi plantada", disse Tatiana. O lixo espalhado pelo entorno mostrava que o caminho é longo.

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