Eclético leque de mostras

Centro Maria Antonia abriga ciclo e exibe acervos da USP

CAMILA MOLINA, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2011 | 03h06

O néon rosa formando a palavra Hotel, que a artista Carmela Gross já colocou na fachada do prédio da Fundação Bienal de São Paulo em 2002, está agora no hall de entrada do Centro Universitário Maria Antonia. A obra, que a partir da escritura com luz simboliza a ideia de transitoriedade, pode ser agora um comentário para além do caráter pontual de uma exposição de arte - trata, por que não?, das instituições culturais também. Um trabalho tão simples, direto, mas carregado de sentido, cai, assim, como uma luva para se falar deste momento do próprio centro cultural da Universidade de São Paulo - o Maria Antonia, afinal, vai ocupar, no próximo ano, o Edifício Joaquim Nabuco que abrigava o Instituto de Arte Contemporânea (IAC).

O IAC foi despejado em julho do prédio porque a USP não quis renovar o convênio com a instituição. Sendo assim, agora é apresentada no edifício, até julho de 2012, uma exposição com obras de coleções de museus da universidade (leia mais ao lado). No próximo ano, ainda, espera-se que seja realizada a próxima etapa da necessária reforma do imóvel. "Temos a garantia assegurada pela reitoria que a USP vai bancar a reforma", diz o diretor do Centro Maria Antonia, Moacyr Novaes - e ele calcula que a ação, em processo de licitação, vai superar a quantia de R$ 4,5 milhões, que foi o montante usado na primeira etapa da reforma, realizada por meio de recursos incentivados, captados pelo IAC. A partir de agosto de 2012, portanto, está previsto que todas as exposições do Centro Universitário Maria Antonia ocorram no prédio Joaquim Nabuco, como seu tradicional Ciclo de Exposições, que sempre se dedicou a exibir obras de artistas de diferentes gerações. "Teremos assim mais espaço para realizar no prédio Rui Barbosa as atividades acadêmicas e abrir uma biblioteca", conta Novaes.

Mas voltando ao Hotel, de Carmela Gross, essa obra sempre pertinente é mais do que o gancho para se falar da instituição da USP em si. O néon é um dos trabalhos da coletiva Exigências do Presente, que o Maria Antonia apresenta agora para o público como parte de seu atual Ciclo de Exposições. A mostra, concentrada na grande sala climatizada do segundo andar do Maria Antonia, tem curadoria de José Augusto Ribeiro e abriga ainda criações de Leda Catunda, Jac Leirner (que também inaugura retrospectiva na Estação Pinacoteca) e do argentino Jorge Macchi. Questões como "repetição e seriação de formas; acumulação e organização de objetos recolhidos da vida prática; reabilitação de padrões e clichês a um estado de potência, no rigor intelectual dos procedimentos", ressalta o curador, se destacam na concisa Exigências do Presente, fruto de amplo simpósio realizado.

Ao mesmo tempo, o pintor Cassio Michalany exibe, em outra sala do segundo andar, a individual Modulações, com três séries de pequenas pinturas sobre madeira feitas com esmalte acrílico. O branco prevalece como o suporte do "jogo inesgotável", escreve Tania Rivitti, e de sutileza de permutações de cores que o artista promove em suas obras.

Já o jovem artista Marcone Moreira, com a instalação Banzeiro, cria uma metáfora sobre equilíbrio e o movimento da água com 20 esculturas de madeira que remetem às estruturas de embarcações, às "costelas dos navios". Há mais ainda, como as exposições Espaço Gabião, de Camila Sposati, e Retorno, de Lucia Mindlin Loeb.

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