Eastwood faz romance no SBT

Nos anos 60, um fotógrafo itinerante do National Geographic chega à cidadezinha de Iowa para documentar uma ponte local e se envolve com mulher casada, levemente insatisfeita. Vivem o que se pode considerar um clima, mais do que um romance. Essa história foi contada por Robert James Waller num livro de sucesso e transformada em filme - belíssimo - por Clint Eastwood. As Pontes de Madison é a atração de hoje do SBT às 22 horas. Grande Clint. Assim como se baseou no western clássico Os Brutos também Amam (Shane), de George Stevens, para fazer O Cavaleiro Solitário, aqui ele tomou o mestre David Lean como modelo para fazer o que não deixa de ser o seu Breve Encontro, como aquele que o diretor inglês fez nos anos 40. Um filme delicado, sobre sentimentos. Uma paixão pudica, que não explode nem se concretiza carnalmente. O próprio Clint, acumulando as funções de ator e diretor, é o fotógrafo e o filme deve muito do seu fascínio ao par maduro que ele forma com Meryl Streep. Ela não é menos do que extraordinária. Trabalha no registro da contenção, mas o faz com tanta elegância e sinceridade que cria uma personagem inesquecível. Desde Bird, sua admirável cinebiografia de Charlie Parker, todo mundo está cansado de saber que Clint Eastwood é louco por jazz. Esse amor está de novo em As Pontes de Madison, que tem música de primeira. Preste atenção no tocador de baixo na banda de blues, que chega a merecer um close do diretor. É o filho de Clint, Kyle.

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