'É uma homenagem ao legado deixado por nossos atores'

Musical faz referências à cidade de São Paulo dos anos 1920 e traz histórias vividas por artistas como Henriqueta Brieba

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2013 | 02h13

Como surgiu a ideia de transpor a cena para São Paulo?

O texto original homenageia o gênero musical a partir de nomes importantes nos EUA. Ao fazer a versão nacional, decidi homenagear centenas de artistas que deixaram um grande legado.

Você utilizou alguma história específica?

Sim, várias. Sempre gostei de ouvir histórias dos veteranos. Ainda me lembro bem da Henriqueta Brieba contando que, quando jovem, se apresentava com a família nos bordéis de Belém do Pará, encenando zarzuelas no início do século passado. Usei a informação e, na minha versão, o mordomo Agildo também trabalhou naqueles bordéis e, certamente, se encontrou com a Henriqueta.

São Paulo, naquela época, vivia uma efervescência cultural, não?

Isso também foi decisivo para a minha entrada no projeto, a possibilidade de adaptar o texto para aquela época. Desde que fui convidado pelo Cleto Baccic para um espetáculo gratuito, decidi que deveria falar da história da cidade. Por isso que, em minha adaptação, A Madrinha Embriagada estreou em 1928 no Teatro São Pedro, um dos mais luxuosos da época, com frisas, camarotes e balcões com mais de mil lugares.

Os personagens também foram adaptados?

Sim, busquei figuras semelhantes às da nossa mitologia cultural. Assim, o produtor Feldzieg virou Iglesias e sua amada se transformou em Eva, e assim foi com os demais personagens: Petrônio Silva, Lorena Santos, Rolando Bartelli etc.

Você precisou fazer muita pesquisa sobre aquela época?

O que me facilitou é que, quando fui convidado pelo Baccic, já estava envolvido com um projeto pessoal que é adaptar o romance Memórias de um Gigolô, de Marcos Rey, para o teatro musical. Como o livro se passa em prostíbulos paulistanos dos anos 1930, eu já vinha fazendo uma pesquisa sobre aquela época. Portanto, já estava mergulhado naquele universo.

E como vai essa adaptação da obra do Rey?

Enfrento dificuldades por conta do conservadorismo dos anunciantes, que temem associar sua marca à palavra "gigolô". Infelizmente, vivemos sob essa evangelização dos patrocinadores, que não se preocupam, muitas vezes, com o teor de qualidade do espetáculo, apegando-se a detalhes insignificantes. / U.B.

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