''É uma história fascinante''

Astro de VIPs, Wagner Moura diz que o papel o atraiu por falar de homem em busca de si mesmo

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2011 | 00h00

Wagner Moura está num momento especial de sua vida (e carreira). Ontem, ao embarcar do Rio para São Paulo, teve de atender a fãs que, no aeroporto, queriam tirar fotos com ele. O astro do maior êxito de público da história do cinema brasileiro - Tropa de Elite 2, de José Padilha, com mais de 11 milhões de espectadores - estreia novo filme, e outra promessa de sucesso, VIPs, de Toniko Melo. Wagner acaba de estrear na direção, com o clipe Te Amo, de Wanessa Camargo, e em julho fará outra estreia - a de astro internacional, participando da ficção científica Elysium, que o sul-africano Neill Blomkamp vai fazer em Hollywood.

Em Hollywood, em termos. A superprodução com Jodie Foster será rodada no Canadá e no México. A filmagem deverá se estender até novembro. Wagner ainda não recebeu seu cronograma, mas não acredita que terá de ficar o tempo todo no set. Em Berlim, em fevereiro, após a exibição de Tropa 2, ele se mostrara cético sobre a possibilidade de uma carreira em Hollywood. "Para o que eu gostaria de fazer eles já têm o Javier Bardem. O que me propõem, não me interessa", havia dito. O que mudou para levá-lo a aceitar Elysium? "O projeto é todo bacana. O personagem é muito bem escrito e um dos protagonistas da história." E mais Wagner não revela, nem em off, porque está impedido de fornecer detalhes da história do novo filme do diretor de Distrito 9.

E VIPs? "É um filme que se encaixa no atual momento do cinema brasileiro. É bem produzido, muito bem realizado, conta uma história complexa e fascinante. Estamos naquele momento em que a crítica e o público já perceberam que o filme de qualidade não tem de ser necessariamente hermético nem que o filme de sucesso precisa ser idiota." No texto abaixo, o diretor Melo conta que escolheu Wagner pelo olhar. "Bráulio Mantovani (o roteirista) e ele contam a mesma história, de que bateram o martelo depois de me conhecer na pré-estreia de Tropa de Elite (o primeiro). Já conhecia o Bráulio há mais tempo e ele, não sei se para me seduzir, conta que escreveu o personagem para mim."

VIPs baseia-se na história de Marcelo Nascimento da Rocha, que adquiriu projeção nacional ao se passar pelo filho do dono da Gol no programa de Amaury Jr. O próprio Amaury faz seu papel e o filme não deixa de oferecer um retrato crítico da cultura das celebridades. Não é o que Wagner acha mais interessante no personagem (nem no filme). "Ao ler o roteiro, não me lembrava que a história é real. O que encontrei foi o retrato de um jovem em busca de si mesmo, e foi o que me atraiu. A história do golpista, do estelionatário ficou secundária." Wagner compara os dois roteiros - de Tropa de Elite e VIPs -, ambos de Mantovani, que também adaptou Cidade de Deus para Fernando Meirelles.

"Tropa enfraquecia na ficção e crescia quanto mais nosso registro era documentário. Em VIPs, é o oposto. A ficção dava uma dimensão poética ao personagem que a realidade não sustentava." Wagner comenta a estreia na direção. "Fortaleceu minha convicção de que o cinema é a arte de agregar." Ele fez o clipe da música de Wanessa Camargo com amigos. Chamou Marilena Ansaldi, um nome que é referência no teatro/dança no País, para interpretar a música. "Filmei em película, com uma equipe bacana. Ficou bonito, você vai ver." Algum longa como diretor a caminho? "Tenho projetos, um que já venho escrevendo há tempos. Estou amadurecendo."

VIPs

Direção: Toniko Melo.

Gênero: Drama (Brasil/2010, 96 minutos).

Censura: 12 anos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.