E tudo leva à mesa de jantar

Embora seja o último dos três policiais resenhado nesta página, 'A Fuga' está longe de ser o menos interessante do trio

O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2013 | 02h08

Embora seja o último dos três policiais resenhado nesta página, A Fuga está longe de ser o menos interessante do trio. E até o melhor de todos, ou o que tem a melhor cena - de longe. É o jantar de Thanksgiven, o Dia de Ação de Graças, quando a família se reúne para o tradicional peru. Só que neste dia existem penetras à mesa, e um deles é um assassino descontrolado e perigoso, Eric Bana.

Stefan Ruzowitzky, que assina A Fuga, é um diretor que veio do clipe e da videoarte. A narrativa invernal, com os flocos de neve caindo, lhe permite certos efeitos que, como fogos de artifícios, permeiam o relato, mas ele se interessa mais pelos personagens. Eric Bana e a irmã participam de um assalto e, em fuga, há um acidente. Os dois se separam, com a promessa de se reencontrar. Bana sai matando. A irmã, Olivia Wilde, pede carona, e a recebe de Charlie Hunnam, que também está em fuga.

Charlie saiu da cadeia e foi cobrar uma dívida do homem que considerava responsável por sua prisão - seu antigo instrutor de boxe. Mata-o acidentalmente, e o que faz? Volta para a casa dos pais, mesmo que tenha uma relação litigiosa com Kris Kristofferson. Olivia Wilde fornece o endereço para Eric Bana, mas isso é antes de ter seu momento de intimidade com Charlie Hunnam, numa cena bonita (e bem filmada).

A Fuga é sobre pais e filhos, e as relações não são fáceis. Olivia, abusada pelo pai, foi salva pelo irmão, mas sua ligação com Bana também tem algo de incestuoso. Há uma jovem policial hostilizada pelo pai, seu superior, provavelmente porque ele vê nela a presença permanente da mulher que o abandonou. E há Charlie, que brigou com o pai no passado, deixando de treinar com ele para se colocar sob a condução do homem que o traiu (e abandonou).

Tudo converge para o jantar de Thanksgiven, para o peru preparado por Sissy Spacek. Charlie, consciente do perigo que, inadvertidamente, trouxe para a família, diz ao pai que não tem direito de estar naquela mesa. Kris Kristofferson, o rosto calejado por rugas, diz a frase mais bela que um pai pode dizer. O restante é uma inevitável explosão de violência.

Bana, corroído pelo ciúme, quer matar o rival que ameaça tirar a irmã de sua influência, e isso provoca a reação de Olivia. É curioso ver como filmes 'de linha' conseguem sair dos trilhos, graças ao empenho dos que o realizam. Certos momentos de Charlie, de Sissy e Kristofferson, de Kate Mara (a policial) são realmente tocantes. Fazem toda a diferença. / L.C.M.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.