É tempo de festa

Metrópolis faz 25 anos no ar e recebe um ilustre time de convidados

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2013 | 02h08

Sempre reunidos no sofá que compõe o cenário, os apresentadores do Metrópolis não terão tempo de se sentar esta semana, em que o programa da TV Cultura celebra 25 anos no ar. A partir de terça, às 23h30, Adriana Couto e Cunha Jr. terão de se movimentar para receber os convidados cantores, como Maria Bethânia, Gilberto Gil e Gal Costa, que se animarão a festa até domingo, dia em que Marina Person fica no comando.

"O planejamento dos 25 anos se deu de maneira modesta. Sempre fizemos festas (fora da TV), mas, desta vez, ficamos voltado para o próprio programa", conta o diretor Hélio Goldsztejn, que começou a dar expediente na atração em 1992 e ficou apenas um ano fora.

"Saí em 2011 e fiquei fazendo programas especiais na emissora. Em 2012, fui chamado novamente para pensar nas mudanças e propus a edição de domingo, que deu certo", relembra. A edição dominical, que vai ao ar às 20h30, alavancou a audiência no horário e, este mês, chegou a marcar 1,5 ponto no Ibope (cada ponto equivale a 62 mil domicílios), um bom índice para a TV Cultura.

Além dos artistas que marcarão presença no estúdio, como Jorge Mautner e Luiz Melodia, serão exibidos depoimentos de quem passou pelo programa. "A Marisa Monte e o Ed Motta se apresentaram primeiro lá. Também tivemos artistas plásticos que não era tão famosos e hoje as obras deles valem uma fortuna, como a Tatiana Blass. O programa tem esse olhar. A Fernanda Montenegro diz que somos o 'porto seguro das artes'. Não damos só 30 segundos para quem vai lá", analisa Goldsztein.

Os artistas plásticos são uma história à parte nos 25 anos do Metrópolis. Como muitas obras foram doadas ao programa, que as exibe e dá o nome do autor, há um espaço da emissora em que elas são conservadas. Parte delas roda por exposições em diferentes centros culturais do País e depois retorna à sede da TV Cultura, na zona oeste de SP. "Neste momento, estamos só pedindo emprestadas obras novas", revela o diretor.

Apesar do bom desempenho de audiência hoje, o programa já fico sob risco de sair do ar. "Houve vários momentos de crise, em que a emissora enfrentou problema orçamentário. É claro que, nessas horas, se pensa em corte, em rever se o programa merece ser diário", recorda Goldsztein.

Quem está cheio de boas lembranças da atração é o apresentador Cunha Jr., há 23 anos na equipe, em que foi produtor, locutor, editor e repórter até ficar no estúdio. "Uma amiga ia trabalhar na TV Cultura e pedi que ela levasse uma fita com entrevistas que fiz na TVE do Rio Grande do Sul", conta o gaúcho, que ficou dois anos fora do programa, quando ficou no Vitrine e no Zoom, da mesma emissora.

Em uma de suas primeiras saídas para gravar na rua, Cunha Jr. tirou a sorte grande. "Em 1992, encontrei o (cineasta Quentin) Tarantino sentado na escada do antigo Cinearte (hoje Cine Livraria Cultura) e o entrevistei. Eu era a única TV lá e ele era uma das apostas da Mostra de Cinema, lançando Cães de Aluguel. Ele me chamou a atenção sobre os filmes da Coreia. A cabeça dele estava preparada para tudo que faz hoje", analisa.

O jornalista diz que sonha em levar o recluso João Gilberto para o programa, mas já realizou a vontade de gravar com Chico Buarque. "Na Feira do Livro de Frankfurt de 1994, o Brasil era o país homenageado e ele estava lançando Estorvo. Só havia imprensa internacional e eu me coloquei na fila. Ele não teve como dizer não", diverte-se.

Hélio Goldsztein considera o time que comanda o Metrópolis atualmente, que inclui ainda Manuel da Costa Pinto, um dos melhores nos 25 anos. "É uma equipe afinada. Já houve tempo de turbulência entre apresentadores", entrega. "Um dos nossos segredos é a informalidade", aposta Cunha Jr.

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