De tanto trabalhar com Ken Loach, Paul Laverty gosta de dizer que o conhece pelo avesso. "É como se a gente conseguisse penetrar no pensamento um do outro." Laverty nasceu na Índia, de mãe irlandesa e pai escocês. Formou-se em Filosofia pela Universidade Gregoriana de Roma e cursou Direito. Nos anos 1980, foi para a Nicarágua, no pós-sandinismo. Passou por Los Angeles, onde aflorou o interesse pelo cinema e, de volta à Inglaterra, foi bater na porta de Loach.

Entrevista com

10 de março de 2013 | 02h12

Por que ele?

Porque não me interessava fazer qualquer tipo de filme. Depois dos anos na América Central, queria alguém para compartilhar minhas ideias sociais.

E como surgiu A Parte

dos Anjos?

Quando a gente termina um filme, conversa sobre o que gostaríamos de fazer. O filme nasceu desses diálogos, mas principalmente de uma espécie de fúria que experimentávamos pelo jeito como os jovens estão sendo tratados. É muito duro ter essa sensação de que não há um futuro ao nosso alcance. Quando nos decidimos pelo filme sobre jovens, comecei a pesquisar. Perguntei a um garoto se havia feito entrevistas para emprego ultimamente. Era um garoto esperto. Disse-me que havia feito 210 entrevistas, sem retorno algum. Neste quadro, li a história do barril raro de uísque que seria vendido a preço de ouro. Uma coisa juntou-se com a outra.

Como é escrever para Ken?

Nada pode ser falso. E quando escrevo os diálogos, nunca sei como ou quanto serão aproveitados. Ken tem uma maneira peculiar de trabalhar com atores. Busca o máximo de veracidade e, às vezes, para obter o que necessita, ele recorre a truques como dar uma parte do diálogo a um ator e forçar o outro a improvisar. Há sempre um elemento de surpresa entre o roteiro escrito e o que é filmado. / L.C.M.

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