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‘E se fosse pra ter medo...’

A YBmusic, produtora e selo independente, comemora 20 anos de existência em meio a um cenário marcado pela falta de recursos e pela censura

Roberta Martinelli, O Estado de S. Paulo

08 de outubro de 2019 | 03h00

A gente tem vivido coisas tão bizarras em 2019 que confesso sentir um certo estranhamento para escrever sobre coisas boas nessa coluna. Tantos assuntos urgentes. Peças censuradas. Sim. Censura. Mesmo. E então nada me parece importante. Muita coisa positiva a contar, mas e a censura? E a falta de recursos? E tudo o que está nos acontecendo? Pois. Mas falar de coisas que resistem apesar de tudo é uma maneira de lutar contra tudo isso, né? Lançamentos, shows, encontros, criações. O show não para. Ninguém para o show.

Então hoje a coluna é sobre um marco de um selo, que, contrariando as expectativas, comemora duas décadas.

A YBmusic, produtora e selo independente comemora em outubro 20 anos de existência e resistência. São 20 anos de muita contribuição para a música brasileira. Esse selo que lançou discos como Rádio S.Amb.A da Nação Zumbi, o primeiro disco da cantora e compositora Tulipa Ruiz, o Efêmera, o primeiro disco do cantor, compositor e baterista Curumin, Achados e Perdidos, Rômulo Fróes, Bruno Morais, Leo Cavalcanti, Karina Buhr, Lulina, Rodrigo Campos, Luedji Luna, Cacá Machado, Saulo Duarte e tantos outros. 

O selo que ficou anos na Vila Madalena em um belíssimo estúdio, o estúdio A que abrigou artistas criando, gravações, muitas conversas, encontros e audições de disco e nesse mês mudou de locação, deixando ali um tanto de história para comemorar. 

Agora, em outubro, mês que comemora 20 anos, a YB prepara uma série de comemorações, são 8 shows em diferentes espaços da cidade. No teatro do Centro da Terra o Sotaques YB: uma temporada com duetos. No Auditório Ibirapuera o show YB20 que acontece no dia 11 de outubro  com 16 artistas divididos em três atos: Canção É Sempre Canção, Afrobrasileirices e Pra Soltar a Pélvis. No Mundo Pensante a banda Samuca e a Selva se apresenta com o disco que lançou em homenagem a Ronaldo Bastos: Tudo O Que Move É Sagrado. No Estúdio Bixiga, o encontro de Mauricio Tagliari (um dos donos do selo), Kiko Dinucci e Thomas Harres, o Bona Música tem shows infantis com Iara Rennó e Luz Marina e o mês festivo se encerra com Zudizilla no Estúdio Bixiga. A programação tem direção artística de Mauricio Tagliari e Alexandre Matias. 

O mercado independente já tem hoje fórmulas e caminhos mais claros, alguns modelos para serem seguidos e um deles foi traçado por esse selo e com tantos artistas que por lá já passaram. Se 2009 era um período incerto e cheio de problemas no mercado fonográfico, 2019 ainda é um período incerto e cheio de questões, mas com alguns marcos e conquistas para comemorar, eis aqui uma delas. 


MÚSICA DA SEMANA

Descaradamente

Primeira faixa do novo disco, o quinto da carreira, do cantor e compositor Pélico.  A música tem participação do Negro Léo. “Falsos profetas, milicianos, juízes, procuradores, Esse meu canto é pra essa gente que mente descaradamente.” O trabalho, que será lançado no dia 18 de outubro, leva o nome Quem Me Viu, Quem Me Vê

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