É pássaro? é avião? é a esperança da Broadway!

Peça sobre Super-Homem faz sucesso em Dallas e pode voar para Nova York

George Gene Gustines / THE NEW YORK TIMES DALLAS, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2010 | 00h00

Desde que o Super-Homem chegou à Terra na revista de histórias em quadrinhos Action Comics, em 1938, os super-heróis têm se exibido em zigue-zagues, valorosos e desprendidos, entre banais e épicos, dependendo do clima do momento e de como suas histórias são contadas. Cabe agora ao Dallas Theater Center decidir quem será o novo Homem de Aço, em sua reedição do musical da Broadway de 1966 É Um Pássaro... É Um Avião... É o Super-Homem.

Chegando ao público no momento em que um Batman nada sofisticado provocava grande comoção na TV, a produção original parodiava a seriedade do herói a ponto de mostrá-lo como um bobão. Apesar das resenhas em geral favoráveis, a peça terminou sua carreira depois de 129 apresentações.

Agora, apaguem a escuridão no horizonte da Broadway: os criadores do musical sobre Super-Homem, juntamente com Kevin Moriarty, diretor artístico do teatro de Dallas, acreditam que este é o momento mais apropriado para uma nova versão do show, restaurando o brilhantismo do homem que consegue pular sobre edifícios altíssimos num único salto. Com seus superpoderes, a atração poderá até mesmo chegar à Broadway.

A atual reedição é "a maior produção jamais feita", disse Moriarty, com um orçamento de US$ 800 mil, um elenco de 24 atores e mais de 100 trocas de figurinos. Ela acompanha o Super-Homem do planeta Crypton até a rural Smallville e a fervilhante Metrópolis. Mas o enredo da história está centrado no triângulo de amor e ódio de Lois Lane, Clark Kent/Super-Homem e Maxwell Menken, um corrupto empresário revoltado por ter sido desbancado como o homem mais poderoso do mundo.

A produção, em cartaz até o dia 25, foi uma chance para Moriarty fundir suas duas paixões: o teatro musical e as histórias em quadrinhos. "Nas brigas no pátio de escola entre a Marvel e a DC, eu sempre preferia a DC", lembrou numa entrevista, horas antes da avant-première.

Moriarty, de 44 anos, exibe com orgulho sua condição de fã incondicional dos gibis: sobre uma mesa do seu escritório há pilhas de números de histórias em quadrinhos do Super-Homem. Quando criança, ele encontrou uma gravação da produção de 1966 e criou a própria história de acordo com as canções.

A música era de Charles Strouse e as letras, de Lee Adams. Moriarty já era fã do trabalho dos dois em Bye Bye Birdie, a música que ele tocara em um recital de piano quando menino. Já na idade adulta, contou, tinha um simples objetivo: "Eu esperava fervorosamente dirigir uma reedição do Super-Homem."

Há dois anos, Moriarty se reuniu com Strouse para discutir um projeto diferente e começaram a falar do Super-Homem. Strouse mostrou-se aberto para uma reedição, mas reconheceu as preocupações de Moriarty de que a visão meio exagerada do personagem talvez não tivesse sobrevivido ao teste do tempo.

Surgiu então o roteirista Roberto Aguirre-Sacasa, também familiarizado com o universo das histórias em quadrinhos. Ele havia escrito para a Marvel alguns números do Homem-Aranha e do Quarteto Fantástico. Seu roteiro inclui Golden Age, seriado com personagens muito semelhantes aos quadrinhos de Archie Andrews e seus amigos de Riverdale. É baseado numa história totalmente real, sobre um escritor de histórias em quadrinhos cujo relacionamento está de pernas para o ar às vésperas do seu grande sucesso.

Quando Moriarty o convidou por telefone para fazer parte do projeto, Aguirre disse que sua reação foi imediata: "Se for no musical sobre Super-Homem, não preciso ouvir mais nada. Estou dentro!" Uma das primeiras decisões foi ambientar a história novamente em 1933, para captar a visão original do personagem criado pelo escritor Jerry Siegel e pelo artista Joe Shister, e distanciá-lo das interpretações parodiadas ou de suspense que influenciaram as versões modernas dos super-heróis.

"Ele queria conseguir um tom brilhante e alegre, não brega nem satírico", disse Moriarty. "Os artistas de teatro da minha geração pertencem a uma época caracterizada pela ironia. Esta versão está longe de tudo isso."

A ambientação mais antiga foi útil para Aguirre. "Eu tinha na cabeça como seria a linguagem teatral", disse. As cenas em Smallville lembram nossa cidade, enquanto O Planeta Diário tem o feeling e o espírito de A Primeira Página. Strouse e Adams escreveram quatro novas canções, incluindo uma de ninar, e Even Men Like You (Até os homens gostam de você), na qual Lois Lane canta sobre os benefícios de alguém tê-la como esposa. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

A EVOLUÇÃO DO HOMEM DE AÇO

Anos dourados

Em 1951, estreou a série de TV Aventuras do Super-Homem, com George Reeves no papel do Homem de Aço, que teve 104 episódios, entre 1952-1958.

O melhor.

Ninguém vestiu com tanta justeza a malha do kryptoniano como Christopher Reeve (1952-2004), em 3 filmes (o primeiro foi em 1978). Em 95, um acidente o tirou das telas.

Ele tentou.

Em 2006, foi confiada ao diretor Bryan Singer (X-Men), a tarefa de trazer Superman de volta. O ator escolhido foi Brandon Routh e o clima foi de homenagem aos quadrinhos.

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