'É o testemunho de um percurso'

Nathalia Timberg fala do caráter colecionador do amigo, que amealhou recordações de peças que a própria atriz perdeu

RIO, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2014 | 02h06

Perfilada em Momentos, livro que será lançado quarta-feira pelo ator Cacau Hygino, Nathalia Timberg, companheira de trabalho de Sergio Britto desde os anos 1940, já recorreu ao acervo dele - "desapegada", ela brinca, não fez como o amigo, e foi perdendo as recordações da carreira ao longo de seis décadas de atividade. No livro, Hygino não só usou imagens do arquivo agora digitalizado, mas também se valeu de relatos detalhados de Britto. "Ele era uma enciclopédia, tinha armários em casa com tudo catalogado e lembrava de detalhes de gravações dos anos 1950. Sabia cada data de cada espetáculo da Nathalia. Guardava tudo sobre ela, mesmo quando ele não estava no espetáculo", conta Hygino.

"Sergio foi importante para o livro, me contou muita coisa sobre o Grande Teatro Tupi(teleteatro exibido entre as décadas de 1950 e 1960). De presente, me deu um álbum de fotos da série A Muralha, na primeira versão, de 1968, com Nathalia e Fernanda Montenegro, que ele dirigiu e da qual ninguém sabia me informar nada."

Ao Estado, Nathalia deu depoimento terno sobre o legado do amigo: "Sergio era um contador de histórias, um professor, adorava dar palestras. Era um prazer conversar com ele. O acervo é único, não só voltado ao teatro, mas à TV também".

"Ele era organizado, o oposto de mim, que tenho desapego das coisas. Era agregador, gostava de reunir as pessoas. Todos nós temos alguma vaidade, mas Sergio fazia a coleção por ser o testemunho de um percurso. Era um realizador. Nós nos conhecemos em 1948, fizemos bodas de ouro. Fomos amigos por princípio de vida." / R.P.

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