E o rock jamais seria o mesmo

Ao ouvir o nome Les Paul, a associação é imediata. Uma grande guitarra fabricada pela Gibson há mais de meio século, usada por BB King, Slash, Eric Clapton, Jeff Beck, George Harrison, Santana, Angus Young... Mais que isso, Lester William Polfus, ou Les Paul, criou efeitos essenciais na história do rock and roll, como o overdubbing, a famosa gravação feita simultaneamente por vários canais. Recursos usados não só por grupos vocais dos anos 40 mas também por medalhões como os Beatles, no disco Sgt. Pepper"s Lonely Hearts Club Band; o Queen, em Bohemian Rhapsody; e Michael Jackson, que abusou da técnica gravando sozinho todos os backing vocals de músicas como Off the Wall e Billie Jean.

Farrell, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2011 | 00h00

O peso das criações de Les Paul levam a uma questão: afinal, o que seria do mundo pop sem elas? Eddie Van Halen perguntou ao próprio Les Paul, pessoalmente: "Sem as suas invenções, eu não seria capaz de fazer metade das coisas que fiz."

Mas nem só de solos viveu Les Paul. Vítima de vários acidentes, sendo o mais grave a colisão de um automóvel que dirigia que quase o tirou dos palcos, chegou a virar "lenda" entre amigos que diziam: "Ele tem sete vidas."

O cenário em que surge Les Paul não estava preparado para os sons de guitarra. Era o auge das danças de salão e as pessoas nem imaginavam o que poderia substituir as big bands com seus magníficos solos de sax.

Les Paul começou a se interessar por música aos oito anos. Aos 13 era guitarrista profissional em uma banda de country. Foi a vontade de ter mais do que o som de uma guitarra acústica que o fez dedicar-se ao ofício de luthier. Para chegar ao resultado que queria, no início, trabalhava nas horas de folga e aos domingos. Em sua busca pelo timbre perfeito, colocou gesso dentro de um violão para conseguir o som da corda vibrando em um corpo maciço. Apenas em 1941 criou a guitarra sólida, que só seria lançada no mercado pela empresa Gibson em 1952. Além de acreditar que a eletrificação colocava em risco o valor artístico dos músicos da época, a Gibson achava inviável um músico ter de carregar equipamentos pesados como amplificadores e guitarras elétricas. "Ver Les Paul tocar uma guitarra é como assistir a Henry Ford dirigir um carro, Thomas Edison trocar uma lâmpada e Alexander Graham Bell atender ao telefone", disse Jim O"Donnell na biografia de Les Paul. Nada seria mais exato.

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