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E o Indie virou tropical

Hype nos festivais Lollapalooza e Summer Stage, grupo deve vir ao Brasil em 2012

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2011 | 00h00

Nunca uma banda britânica tinha ido tão longe na tropicalização do seu som. Mas o Friendly Fires parece decidido a importar todas as cores necessárias para sua mistura musical - guitarras pós-punk do começo dos anos 80; corinhos em falsete sob batidas funk; e a eufórica percussão worldbeat que tem feito a fama de bandas como o Vampire Weekend.

O resultado é o disco Pala (lançamento no Brasil do selo Lab344), um álbum que soa como uma eufórica dance music baiana (com apelo para tocar em estádios) e cujo show deve vir ao Brasil no início do ano que vem. É como se os ingleses tivessem entrado em estúdio para fazer um disco depois de um festival de caipirinhas. Em vez de britpop, saiu o biritapop. O manifesto da brincadeira: "Nosso objetivo foi fazer canções vibrantes, telas abertas, mas elas ainda assim mantiveram uma espontaneidade, e há uma certa energia e misticismo em torno delas", disse Ed McFarlane, líder do grupo.

É a euforia de uma percussão carnavalizada sendo prensada num formato indie. Os shows deles (estiveram no País em 2009, no festival Popload Gig) costumavam ser farras coletivas, reunindo amigos como Joe Goddard, do Hot Chip, e Danilo Plessow, do Detroit.

Friendly Fires é formado, além de Macfarlane (vocais, sintetizadores e baixo), por Edd Gibson (guitarra) e Jack Savidge (bateria). São da fria e chuvosa St Albans, na Inglaterra, e conheceram-se por volta dos 13 anos. "Tudo que queríamos era fazer algo que nos levasse para fora dos subúrbios", diz McFarlane.

Foram muito além dos subúrbios até agora. Três anos após o álbum de estreia, Friendly Fires, eles foram indicados ao Brit Award e ao Mercury Prize, os mais importantes do Reino Unido. O disco, gravado na garagem de McFarlane, vendeu 200 mil cópias. A banda passou a abrir shows do Interpol. E o grupo foi contratado pela Gucci para uma campanha, cantando uma cover do Depeche Mode, Strangelove (num comercial dirigido por Frank Miller, de Sin City).

McFarlane não aceitou nem mesmo o destino chuvoso: neste sábado, ele entrou no palco do festival Lollapalooza, em Chicago, com uma esfuziante camisa florida, dançando ao estilo "selvagem de luau", tocando cowbells alucinadamente. Em seguida, caiu nos braços do público. Ontem, tocariam no Summer Stage Festival, no Central Park, em Nova York.

Sobre a evolução da música da banda, evidente em Pala, McFarlane explicou: "Quando éramos jovens, fazíamos covers de canções punk bobinhas, e aí descobrimos a disco music. Foi a morte intelectual do mundo punk. Quando tinha uns 17 anos, eu ia a raves e clubs e ouvíamos muito techno experimental inglesa. Foi quando conheci um músico chamado Chris Clark, que foi uma influência maciça para mim. Ele me encorajou a produzir eu mesmo a música da nossa banda e a sermos tão autossuficientes quanto possível em nossas gravações".

De certa forma, em Pala, o punk-funk permanece influente, e a mistura tropical está mais sessentista. Em Kiss of Life, disco de 2009, eles usaram a "inspiração solar" do batuque brasileiro, que lhes foi fornecido pela London School of Samba. "Eles atuaram como seção de metais em nossa turnê e nos deram algumas ideias", contou McFarlane na época. "Para mim, a coisa mais importante da música é conseguir fisgar o público. Não faço música para ficar ouvindo com meus amigos, mas estou à procura, como todo mundo, da canção pop perfeita."

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