E o Darwin vai para?

Para alguns, o Oscar é a premiação mais esperada do ano. Outros acompanham com afinco o Bola de Prata, da revista Placar. Sigo as duas, entusiasmado, mas a minha favorita, confesso, é o Darwin Awards, ou o Prêmio Darwin, concedido todos os anos desde 1994.

Matthew Shirts, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2011 | 00h00

O curioso, no caso, é que nunca ninguém, ou quase ninguém (há categorias especiais), chegou a receber um prêmio desses. Para ganhá-lo é preciso morrer e, como se não bastasse, morrer de maneira ridícula.

A criadora do Darwin Awards, Wendy Northcutt, pesquisadora em biologia molecular que trabalhou em neurociência na Universidade Stanford e contribuiu para terapias anticancerígenas, quis premiar quem retira seus genes da "piscina genética" da humanidade. Mas não basta morrer, claro. A distinção vai para aqueles cujas mortes denunciam uma forte tendência para, digamos, a autodestruição hilária. Ao retirar seu material genético do pool de genes dos humanos, eles fazem um favor às gerações futuras. Contribuem para um processo de evolução mais inteligente para a nossa espécie. Daí o nome de Darwin, autor da teoria da evolução.

É uma forma negra de humor? Sem dúvida.

O meu favorito de todos os tempos é o do veterinário do zoológico - na Alemanha, se a memória não me falha. Ele administrou um supositório em um elefante que sofria de prisão de ventre havia semanas. Morreu soterrado. Wendy garante que averigua todas as histórias vencedoras.

Os dez premiados do ano de 2010 foram publicados no dia 20 de dezembro último no site www.darwinawards.com. Atualmente, os prêmios são concedidos mediante votação popular pela internet. Há dois brasileiros entre os dez, o que talvez reflita a importância crescente do País no cenário mundial. Torcemos para que seja isso, ao menos.

Um deles trabalhava como guarda em Belém do Pará. Para proteger seu carro contra os roubos frequentes no seu bairro, construiu à sua volta uma pequena cerca elétrica. Mas esqueceu de desligá-la pela manhã no dia fatal, e morreu eletrificado ao tentar entrar no automóvel. Esse caso mereceu o nono lugar em 2010.

O segundo lugar foi para um casal na Rodovia Presidente Dutra, aquela que liga o Rio de Janeiro a São Paulo. Para quem nunca andou nela, basta dizer que é uma das estradas mais movimentadas do País. Às 6 da manhã, em meio a um nevoeiro forte, o casal resolveu parar seu carro com a finalidade de fazer amor. Como destaca o site da Wendy, não entraram em um posto de gasolina nem ao menos buscaram o acostamento. Não, acredite se quiser, pararam em meio à pista da direita, ou seja, na própria estrada. Passou por cima deles um caminhão gigantesco levando os dois juntos. Este caso é considerado exemplar pelo fato de ter acontecido durante o próprio ato de reprodução humana.

O grande vencedor de 2010 é, era, sul-coreano. Seria difícil acreditar, caso não houvesse um filme do acontecimento no Utube. Recomendo-o apenas para os maiores de idade, embora lembre um desenho animado (http://www.youtube.com/watch?v=VwOy_V7TXKI). O vencedor chega a um elevador em uma cadeira de rodas motorizada, daquelas bem poderosas, pouco depois de as portas se fecharem. Impaciente, vai batendo nelas com seu veículo até conseguir que se abram. Com o embalo, ele entra no buraco deixado pelo elevador, que subira, e cai seis andares. É trágico, sem dúvida, mas cômico ao mesmo tempo.

Desejo a você e aos seus um ótimo - e seguro - 2011.

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