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Cristina Padiglione
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Para Lucas Mendes, o jornalismo opinativo que faz da Fox News um sucesso de audiência na defesa do partido Republicano americano não é necessariamente uma tendência para o futuro, mas tem espaço a ganhar.

19 de março de 2013 | 02h10

Vocês falaram sobre o jornalismo opinativo da Fox News. Acredita nisso como tendência futura?

Eu não acho que é o futuro do jornalismo, não, mas tem um espaço cada vez maior para isso.Há quatro anos, logo depois da eleição do Obama, a Fox cresceu: das 7 às 11h da noite, ela é o jornal do partido Republicano, e da ala conservadora. A MSNBC faz exatamente a mesma coisa muito bem, cresce muito, fazendo a esquerda da esquerda, é o mesmo estilo, e dão porrada na Fox, insultam os âncoras.

Vocês citaram no último programa a série The Newsroom, em que o âncora adota essa postura de quem se posiciona. Há espaço para isso na vida real?

Tem, sim. A série fez sucesso na China já no primeiro capítulo, quando o âncora disse que os EUA não são o primeiro país em coisa nenhuma. Um grupo acha que isso prova que a China é um país em ascensão, e outro, que há nos EUA uma liberdade que não tem na China.

Vocês divergem um do outro, sem deixar de rir. Alguma coisa é combinada antes?

Não. O Caio e o Ricardo frequentemente discordam e o Diogo, com frequência, discorda do Ricardo. O Diogo e o Caio tendem a concordar. O Diogo é até mais à direita que o Caio em Oriente Médio, é mais judeu que o judeu, mas em política externa, eles concordam mais do que discordam.

Qual foi o momento mais difícil nesses 20 anos?

A morte do Francis, com certeza, e a subida do dólar: quando encostou em 4 reais, em 2002, o programa entrou em coma e saiu do ar por dois meses.

E a saia mais justa?

Teve o problema quando o Caio chamou as princesas árabes de p... Deu bode, o embaixador da Síria, vários diplomatas mandaram cartas exigindo pedidos de desculpas. A Globo perguntou: "vocês querem pedir desculpas?" "Não, a gente não quer". "Então não pede". O Caio pediu, mas não foi imposição.

E o momento mais prazeroso?

Acho que o programa se segura até hoje porque não encheu o saco da gente. É muito divertido fazer, a gente ri muito.

O que faltou fazer?

A gente pensou em algumas coisas que nunca levou adiante, como fazer um mini Manhattan durante a semana, uma versão de menos de dez minutos, diária ou não sei com que frequência, mas o Caio já trabalha em 16 lugares (risos), então não dá.

Você está há 45 anos em NY. Sobrou alguma mineirice aí?

Antigamente eu falava: "estou em Nova York há dez anos", dava uma autoridade danada. Depois de 15, 20 anos, nunca mais falei há quanto tempo estou aqui. Sou muito mineiro, o meu toque de telefone é o Sabiá Laranjeira (imita o piar do pássaro, risos).

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