É hora de repensar o legado da mostra

Talvez a melhor notícia da edição 2013 da Bienal Sesc de Dança, que estreia hoje e vai até o dia 12, na unidade de Santos, seja a da inclusão de Balões Vermelhos na programação. Trata-se de uma produção da Cia Etra de Dança Contemporânea, fundada em 2001 por Edvan Monteiro e Ariadne Filipe, do Colégio de Dança do Ceará. Evidentemente, é quase nada, se considerando que se trata da oitava Bienal e dos cerca de R$ 3 milhões investidos pelo Sesc na programação deste ano. Mas leva a torcer para que seja o início da compreensão de que um evento dessa proporção se justifica quando produz legado capaz de operar transformações.

Helena Katz, Especial para O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2013 | 02h21

Juliano Azevedo, assistente para a dança da Gerência de Ação Cultural do Sesc SP, revela sua preocupação. Ao Estado, disse: "A inclusão de Balões Vermelhos foi decisão unânime da comissão de seleção. Também sabemos que temos que ampliar as nossas ações entre as Bienais".

Foram mais de 500 trabalhos inscritos, vindos de quase todos os Estados brasileiros e de 20 países. Uma comissão, composta pelo próprio Juliano e mais duas representantes do Sesc (Liliane Soares, de Santos, e Djaine Daniat, de Araraquara), ao lado de duas profissionais convidadas (Nirvana Marinho e Valéria Cano Bravi), fez uma primeira seleção, da qual restaram 70. "Depois, nos concentramos em escolher um conjunto que fosse coerente com a atual produção de dança no Brasil".

Uma outra novidade é a cobertura que o Projeto 7 X 7 fará do evento. Idealizado pela coreógrafa Sheila Ribeiro, o 7 X 7 promove a expansão do pensamento crítico, reunindo textos de artistas sobre artistas. "Eles vão publicar críticas no site deles (http://seteporsete.net) e no da Bienal (http://bienaldanca2013.sescsp.org.br)", explica Juliano, que também destaca a celebração dos 20 anos do Grupo Cena 11, do qual serão exibidos três espetáculos.

A Bienal Sesc de Dança é a continuidade de um projeto anterior, o Festival Mobil Oil, que começou em 1998, depois foi transformado na Bienal e retornou em 2007. "Aos poucos, foi ganhando importância institucional e o lançamento do Festival Ibero-americano de Artes Cênicas - Mirada, também em Santos, aumentou ainda mais a importância da Bienal."

Ocupando 15 espaços da cidade, dentre os quais os Teatros Guarany e Brás Cubas (o Teatro Coliseu está fechado para reforma), o C.A.I.S Vila Mathias, o Centro Histórico, a Rodoviária, várias praças e o Parque Municipal Roberto Mário Santini, a Bienal oferece um cardápio polpudo: seis intervenções, duas instalações, duas exposições (Still_Movil, do fotógrafo Manuel Vason, e Dispositivo Móvel Ohno, sobre Kazuo Ohno), 22 espetáculos, quatro encontros e debates e uma master class com Eduardo Torroja, do grupo de Wim Vandekeybus.

"Ações como o Escambo, que a unidade de Santos realiza com grupos locais e de fora, precisam ser ampliadas. Balões Vermelhos é um bom exemplo porque surgiu desse projeto. Agora, vamos começar a Extensão Bienal, levando espetáculos para circularem em outras unidades do Sesc", conta Juliano.

No momento em que tantas Bienais se repensam, cabe ao Sesc São Paulo transformar palavras em ação, de modo a não chegar à próxima Bienal sem as respostas que hoje ignora.

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