E ele garante que 'Billy Elliott' fica ainda melhor no teatro

Isso não significa, em absoluto, que Stephen Daldry tenha ficado insatisfeito com o próprio filme, ou que gostaria de mudá-lo

O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2013 | 02h22

Stephen Daldry já era um nome consagrado no teatro quando estreou no cinema com Billy Elliott, em 2000. Admite que sonhava com o cinema e embarcou no projeto do filme, tão logo lhe foi proposto. Mas faz a ressalva. "Embora Billy não fosse uma escolha minha, foi escrito por um grande amigo (Lee Hall). Tive toda liberdade com ele." Daldry sabe que o musical estreia no Brasil na semana que vem. A montagem é de grupo norte-americano que se apresenta em São Paulo por duas semanas. Daldry faz a que não deixa de ser uma confissão surpreendente - "Billy Elliott fica melhor no teatro."

Isso não significa, em absoluto, que Daldry tenha ficado insatisfeito com o próprio filme, ou que gostaria de mudá-lo. A explicação é mais simples - "No cinema, é sempre possível enganar o espectador. O palco é mais verdadeiro, neste sentido. Não há truque. É a história de um garoto que quer ser bailarino. E ele precisa ser bom dançando." Daldry acompanhou todo o processo de passagem de Billy Elliott da tela para o palco. "Esse garoto tem anos da minha vida", diz.

O que havia de tão interessante na história, a ponto de ele fazê-la sua? "A relação pai/filho é muito forte. O garoto foge à tradição familiar. Billy dança como eu fui fazer teatro. Essa coisa de querer agradar ao pai, de obter seu reconhecimento no desfecho é uma coisa que me emociona."

Em filmes tão diferentes quanto As Horas, O Leitor ou Billy Elliott, Daldry tem conseguido imprimir uma marca. Há sempre esse momento para o qual parece convergir toda a arquitetura dramática. Para o repórter, não existe momento mais belo, no cinema de Daldry, do que o desfecho de O Leitor, quando Ralph Fiennes leva a Lena Olin o dinheiro que Kate Winslet juntou na prisão. Lena é ríspida. O que ele espera comprar com o dinheiro? Uma reparação para a dor que Kate, por sua ligação com o nazismo, lhe causou?

Ela desdenha o dinheiro, mas ele vem dentro de uma latinha que funciona como uma madeleine para a personagem. A judia rica lembra-se de outra latinha que tinha quando criança. O simples contato com o objeto traz de volta o tempo perdido - e, agora, reencontrado. É um belíssimo momento de cinema. Lena é magnífica. "Obrigado" (Daldry agradece em inglês, Thank you). "É sempre bom obter reconhecimento para coisas que a gente faz porque acredita nelas."

Em Billy Elliott, o filme, há este momento emocionante quando o pai, que furou a greve dos mineiros para levantar o dinheiro de que o filho precisa para ingressar na escola de balé, se despede do menino, no ônibus. Eles só vão se reencontrar no teatro quando Billy, adulto, salta para a arte (e a vida). Aquilo é grande. Daldry agradece, e só espera conseguir colocar essa paixão em sua aventura brasileira, Trash. / L.C.M.

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