...E Deus criou os supergrupos

Em 2005, a banda de blues rock britânica Cream se reuniu para uma série de shows, após 36 anos separada, e faturou US$ 10,6 milhões em apenas três shows no Madison Square Garden, em Nova York. Todos disputavam avidamente os tickets para ouvir hits como White Room e rever aquele trio, um dos mais influentes de toda a história do rock.

O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2012 | 04h29

Na primeira metade dos anos 1960, Eric Clapton tinha tocado com os Yardbirds, mas conta que pirou quando viu Jack Bruce e Ginger Baker tocando com a banda de Alexis Korner. Não sossegou enquanto não se juntou ao baixista e ao baterista naquilo que se tornaria o Cream.

Criaram também o conceito de supergrupo - bandas que reúnem notáveis já testados em grupos igualmente famosos anteriormente. Precederam em um ano o Jeff Beck Group e em dois anos o Led Zeppelin, duas formações que influenciaram. Eles anteviram a evolução do blues elétrico, mas também burilaram o acústico (As You Said, Passing the Time) e o progressivo (Deserted Cities of the Heart, Pressed Rat and Warthog).

Clapton ganhou tanta fama após sua saga com Bruce e Baker que não aguentou o tranco. Ele ainda não tinha toda a autoconfiança que exibe hoje. "Ainda me sinto profundamente desconfortável ao me ouvir cantando nos velhos discos do Cream. Eu não sabia o que estava fazendo", disse Clapton, em 2001.

Curioso que, em sua autobiografia, Eric Clapton - A Autobiografia (Editora Planeta, 2007), o guitarrista não dedica muito espaço para seu grupo mais mitológico. Mas, em 2010, Jack Bruce também publicou suas memórias. O prefácio era assinado por Clapton, já bem mais falante sobre a influência dos colegas. Temas mais espinhosos foram tratados apenas marginalmente por Bruce, como o tempo em que se afundou nas drogas e chegou a ser viciado em heroína.

O relato de Clapton é coloquial e envolvente. "Havia algo acontecendo espontaneamente, bem na minha frente, que ninguém nunca tinha presenciado antes. Uma música absolutamente daquele momento. Fiquei impactado e fui levado ao centro daquilo. Comecei a me encontrar e tocar com músicos que não somente estavam dentro desse conceito como podiam demonstrá-lo. Na verdade, aquilo parecia expressar o seu desejo de tocar - e também, na maior parte do tempo, seu jeito de viver. Isso, é claro, me levou a Jack". / J.M.

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