E-book não ameaça livro de papel

Quem andou pelo pavilhão dedicado ao mundo eletrônico reencontrou velhas promessas apenas "recalchutadas": a impressão (em papel) sob demanda, um bom novo modelo de e-book (EB1200) da Gemstar, uma versão mais atualizada do Acrobat, que permite alguma navegação na web.O que de mais interessante havia era um serviço, já oferecido pela empresa EMS, mas ainda sem associados, de distribuição on-line. Para exemplificar, no caso de um jornal matutino: o assinante deixaria seu computador ligado durante a noite, mas não necessariamente conectado à Internet, apenas plugado no telefone; quando o jornal estivesse pronto, em vez de entregá-lo num caminhão, o provedor faria a ligação para o assinante e enviaria o produto na forma de bits.A premiação de autores editados em meios digitais também não surpreendeu. Contemporizando com as editoras especializadas em formatos digitais, a fundação que bancou o prêmio, financiada por Microsoft, Gemstar e Adobe, dividiu os US$ 100 mil para o grande prêmio entre dois autores: E.M. Schorb, de Paradise Square, e David Maraniss, de When Pride Still Mattered.O primeiro, ficção, era o único editado pela Delingers, o único livro lançado por uma editora "independente". O segundo é uma reportagem de um jornalista do Washington Post, publicado pela gigante Simon & Schuster.A edição digital, que cresce, mas não de forma bombástica, ainda enfrenta algumas dificuldades. A Gemstad, por exemplo, dona da editora francesa 00h00.com, que conta com mais de 600 títulos em seu catálogo, ainda não tem um sócio no Brasil que fabrique, ou pelo menos importe, seus e-books.Outro problema é o da questão dos direitos autorais. Os editores temem a pirataria digital, pois acham que os programas disponíveis não oferecem segurança suficiente, especialmente quando estão negociando os seus melhores produtos - ninguém que tivesse um Harry Potter ou a Beatles Anthology, por exemplo, teria ainda coragem de colocá-lo na rede. E isso não significa que o papel seja absolutamente seguro. A Literatura do Povo, editora chinesa do menino inventado pela escocesa J.K. Rowling, por exemplo, adotou papéis especiais (um tanto esverdeados) para dificultar a reprodução das páginas. A capa também tem uma gramatura especial, antipirataria (só para constar, a tiragem inicial do livro no país foi de 200 mil exemplares).

Agencia Estado,

23 de outubro de 2000 | 21h17

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