E agora a fatwa inspira ''Sir'' Rushdie

O escritor indiano naturalizado inglês Salman Rushdie já não precisa mais andar acompanhado por seguranças, como há 20 anos - ele é facilmente visto perambulando por Paraty com seu filho Milan. A proteção era contra a decisão tomada por um aiatolá do Irã, Khomeini, que, em 1989, decretou uma fatwa, medida religiosa que condenava o autor à morte. O motivo era o conteúdo considerado profano para o islamismo de Versos Satânicos, livro no qual o profeta Maomé era visto de forma nada lisonjeira. "Sempre procurei afastar a lembrança daquele período, em que vivi escondido em Londres", contou ele, na noite de sexta-feira, durante a Flip. "Mas faz algum tempo que decidi escrever sobre o assunto e, há cinco meses, comecei o trabalho de fato."

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2010 | 00h00

Rushdie conta que escreve vagarosamente e, até o momento, produziu entre 60 e 70 páginas. "Creio que termino o trabalho até o próximo ano." Segundo adiantou, vai revelar sensações estranhas, como a de se sentir totalmente desprotegido. "Embora vivesse em endereço pouco conhecido e não aparecesse em locais públicos, eu era um alvo certo: bastava mirar aquele grupo de seguranças."

Hoje, a situação é mais confortável - além de ter sido nomeado cavaleiro da rainha da Inglaterra (ou seja, ganhou o título de Sir), Rushdie vive em Nova York, onde se tornou um novo alvo, agora de críticas. Como a do pensador Terry Eagleton, também convidado da Flip, que o apontou como membro de um grupo que apoiava o ex-presidente George W. Bush. "Não sou neoconservador, como me ataca Eagleton", defendeu-se, voltando à carga contra o terrorismo islâmico quando o assunto rodeou os atentados nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001. "Quando as tragédias aconteceram, muitos se apressaram em dizer que o fato não se relacionava com o islamismo", comentou, para em seguida ironizar. "Bom, certamente não havia relação com ioga, por exemplo."

O escritor também criticou o livro Quem Quer Ser Um Milionário, que ganhou uma premiada versão para o cinema por Danny Boyle. "Além de a trama ser muito ruim, há uma série de inverdades, como a facilidade com que os garotos falam inglês e o uso de armas", disse ele que, apesar dos oito Oscars, não considera o filme aproveitável. "Não podemos nos esquecer que Laços de Ternura também faturou cinco estatuetas, ou seja, não serve como modelo."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.