É a vez do 21.º Salão do Livro de Paris

Sexta-feira, às 9 horas, será aberto para o público o 21.º Salão do Livro de Paris. Trata-se de um dos principais salões de livros do mundo, não tanto pelo número de visitantes (mais de 260 mil no ano passado, entre leitores, editores e jornalistas), mas principalmente pelo número de autores presentes: a organização deste ano prevê a presença de cerca de 2 mil escritores, dos mais diferentes países e dos mais variados gêneros, ante os 1.800 do ano passado."Haverá em 2001 ainda mais países representados nesse que é o maior evento cultural europeu aberto ao público", anuncia Serge Eyrolle, presidente do Sindicato Nacional da Edição francês e presidente do Salão do Livro, montado num espaço de 50 mil metros quadrados divididos por quase 1.500 editoras. A abertura oficial do salão será amanhã à noite.O país homenageado deste ano é a Alemanha e um dos principais convidados dessa edição é o Prêmio Nobel de 1999 Günter Grass, autor de, entre outros, O Tambor e Meu Século. Grass, um dos 51 autores alemães apresentados pelo Salão do Livro, estará presente em um debate e também fará uma sessão de autógrafos.Outro Nobel que assina seus livros em Paris é o chinês Gao Xingjian (La Montagne de L´Âme), dramaturgo e romancista que recebeu a premiação no ano passado e tem seus livros lançados primeiro em francês. Embora escreva em chinês, Gao, um dissidente, não pode ser publicado na China.A lista de autores estrangeiros também inclui o português António Lobo Antunes (autor de Auto dos Danados e Esplendor de Portugal), que era um forte concorrente ao maior prêmio da literatura mundial até que a academia sueca privilegiasse seu conterrâneo e desafeto José Saramago, e o canadense de origem argentina Alberto Manguel (No Bosque do Espelho).A lista de autores que vão ao Salão do Livro de Paris parece interminável. Muitos dos nomes são conhecidos apenas na França, um país que se orgulha de lançar mais de 500 romances a cada verão e mais outros 500 no inverno e que vem apresentando sucessivos crescimentos em seu mercado editorial. Mas alguns deles não são estranhos ao Brasil, como é o caso do filósofo Edgar Morin (Amor, Poesia, Sabedoria e Ciência com Consciência) e do jornalista e sociólogo Régis Debray (O Estado Sedutor e As Máscaras).Além de apresentar autores e livros, o Salão de Paris também é um bom momento para anunciar bons resultados nos negócios. A PUF, editora da coleção Que Sais-Je? (Que Sei Eu?), inspiradora, entre outras, da brasileira Primeiros Passos, publicada pela editora Brasiliense. Depois de anos de crise, a editora retomou a coleção e parece ter superado as dificuldades que enfrentava.Quadrinhos - Se os livros são um dos produtos mais populares na França (10% da população tem biblioteca em casa), o mesmo pode-se dizer das histórias em quadrinhos. Neste ano, o Salão do Livro e o pai de Astérix, Albert Uderzo, assinaram convênio que levará HQs às bibliotecas das escolas francesas, no segundo semestre.Cerca de 40 autores de quadrinhos em língua francesa (como Moebius, Hermann e o próprio Uderzo) fizeram desenhos inéditos sobre o tema Astérix, que serão expostos a partir de hoje e depois vendidos em leilão. Essa mostra, que está começando um dia antes do Salão, fica em cartaz durante toda a duração da feira. O valor total arrecadado no leilão será usado para a compra de HQs para os estudantes, dentro de um programa de incentivo à leitura do qual participam 2 mil escolas.A exposição desses desenhos inéditos após o lançamento do álbum de HQ Astérix et Latraviata, o 31.º da série, com a tiragem quase inacreditável de 8 milhões de exemplares - o 30.º foi lançado há cinco anos. Até hoje, os álbuns de Astérix já venderam cerca de 300 milhões de exemplares no mundo todo.E-book - O Salão do Livro de Paris também se transformou nos últimos anos, no principal evento de apresentação ao público de novas tecnologias ligadas à produção literária. Neste ano, além da exposição de aparelhos de e-books, ocorre um ciclo de conferências dedicada ao livro eletrônico, em suas mais diferentes versões. É, nesse caso, um evento fechado, para os editores interessados nos bons negócios que o livro eletrônico pode trazer.Mas o entusiasmo com esse universo digital diminuiu. A prova disso é a declaração de Agns Touraine, vice-presidente da Vivendi Universal Publishing, uma das maiores empresas do setor na França, em entrevista na segunda-feira. "O livro continua sendo um suporte de edição privilegiado. No momento, os suportes eletrônicos não alcançarão, pelo menos num futuro próximo, mais que 5% a 10% do mercado", disse Touraine.Na opinião do executivo, não é a Internet, mas a digitalização que fará a verdadeira revolução nos modos de leitura, produção, distribuição e aprendizagem. Enquanto essa mudança não vem, a Vivendi cresce num ritmo de 10% ao ano (resultado de 2000, ano em que o mercado francês cresceu 5%). Tal crescimento favorece a capitalização da empresa e o investimento em novas tecnologias, ainda segundo o executivo.

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