E a culpa toda é da democracia

Crítica

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 00h00

Nada mais diferente de Baaria - A Porta do Vento (leia na página ao lado) do que o novo Bruno Dumont. A política é bela, diz Peppino, o protagonista do filme de Giuseppe Tornatore. Quando Céline, a noviça interpretada por Julie Sokolovsky, pergunta ao islâmico Nassir sobre a inocência, ele responde que ninguém é inocente num mundo em que as pessoas votam. Bruno Dumont pode não condenar seus personagens - leia a entrevista -, mas ele com certeza polemiza ao propor a culpa da democracia. Nada mais atual num país como o Brasil, às vésperas de uma eleição em que o debate está menos nas ideias do que nas pessoas.

Em A Vida de Jesus e A Humanidade, Dumont já discutiu temas que voltam aqui. Mas ele nunca falou com tanta intensidade sobre o mistério da presença física da existência de Deus. É a chave de Hadewijch, é o que busca Céline. Julie, que não era atriz, é a alma do filme. Ela e fragmentos de Bach, que Dumont usa para revelar a alma escondida de suas criaturas.

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