DVD de 'Breaking Bad' fura fila da TV

Caixa com todos os episódios é lançada na terça-feira, 16 dias antes da exibição do episódio final no País

CLARICE CARDOSO, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2013 | 02h13

Durante os cinco anos em que comandou a elogiada Breaking Bad, Vince Gilligan não queria deixar ao acaso o desempenho da série. Em um processo quase obsessivo, controlava cada etapa da produção. Dos desdobramentos do roteiro aos diálogos, à tonalidade de roxo num cenário, aos efeitos sonoros na pós-produção, Vince tinha dedos em todos os lugares. O jeito centralizador imprimiu sua marca na obra, que se tornou recordista do Guiness como o título televisivo melhor avaliado de todos os tempos (atingiu 99 pontos de um total de cem no MetaCritic).

Os episódios finais da quinta temporada da série, exibidos na metade deste ano nos EUA, estão atualmente no ar no País pelo AXN. No canal pago, o fim de Walter White (Bryan Cranston) e seu império da droga deve ser exibido no dia 27 de dezembro. Graças a um desses momentos que o Natal propicia, esses capítulos decisivos já estarão disponíveis em DVD na próxima terça. Dezesseis dias antes da televisão, portanto.

Para aproveitar o entusiasmo dos fãs, o feriado e o grande potencial de vendas que ele oferece, Thiago Libanore, gerente de marketing de séries de TV da Fox-Sony, apressou o lançamento - o que não deixa de ser uma forma de corrigir o atraso na disponibilização de temporadas anteriores. A iniciativa cria uma rara ocasião em que a janela entre a TV e as lojas foi praticamente anulada. "É um movimento ousado", diz.

Em Breaking Bad, um pacato professor de química do colegial (Cranston) transforma-se em um novo Scarface. Fracassado e infeliz, Walter White descobre, já no primeiro episódio, que tem câncer terminal. Para conseguir prover sustento à família após sua morte, junta-se desastrada e desesperadamente a um ex-aluno, Jesse (Aaron Paul), para fabricar metanfetaminas e ganhar algum dinheiro.

O talento para a química o transformará, ao longo dos episódios, em um dos melhores cozinheiros da droga já vistos. Ergue seu reinado. Logo, a história transforma-se em uma saga sobre o poder, a ganância, e sua capacidade de degenerar seres humanos. É assombroso como Walt, sob o pseudônimo de Heisenberg, mergulha em sua sombra. É capaz de ações repulsivas, questionáveis. Protagoniza cenas que teriam tudo para causar antipatia no público, mas que acabam aproximando-o mais desse anti-herói.

Uma série com o cuidado visual que Breaking Bad demonstra clama por um lançamento em Blu-Ray. Mas, como não há no mundo versões no formato com legendas em português, estas teriam que ser criadas no País, o que inflaria os preços, justifica Libanore. Assim, o box completo nesse formato ficará, quiçá, para o ano que vem. Quanto ao cobiçado barril vendido nos EUA (em referência ao local onde o personagem guarda sua fortuna), não há previsões. "Não faria sentido lançar um produto que custaria mais de R$ 1 mil num País como o Brasil. E esse é o preço a que chegaria", afirma.

Mesmo com o adiantamento do lançamento, o que se vê é um produto bem finalizado e com dezenas de horas de materiais extras. Só na temporada final são nove horas. Lá estão bastidores de cenas icônicas da produção, a íntegra dos depoimentos de Walt e Jesse, o bom humor de Dean Norris no set, o trabalho da equipe de efeitos especiais e erros de gravação, entre outros.

É onde se pode ver um vídeo com os depoimentos da equipe descrevendo a onipresença de Vince em tudo que seja Breaking Bad. Seu perfeccionismo é tamanho que, em uma cena após um tiroteio, por exemplo, ele tomou para si uma furadeira para deixar as marcas de bala na parede do cenário a seu gosto.

Sem medo do riso. Outro destaque dos conteúdos adicionais é um suposto final alternativo que a série ganhou. Não é algo que a rigor funcionaria, antes, um agrado para fãs de Cranston. Nele, o ator reassume o papel de Hal, o pai de família esquisitão de Malcom in the Middle. Acorda no meio da noite na cama com Jane Kaczmarek (Lois), que atuou com ele naquela comédia. Tudo o que se viu em Breaking Bad não passou de um pesadelo. Cranston diz que a ideia foi sua - a bem da verdade, a piada já havia sido feita por internautas. Ainda assim, é um curioso exercício de bom humor num universo tão sombrio. E as referências a cenas e diálogos de Heisenberg interpretadas no estilo de Hal são uma grata surpresa para quem acompanhou as duas produções.

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