Duras íntima, macarthismo e até Stálin

Táxi

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2011 | 03h08

16H05 NA GLOBO

(Taxi). EUA, 2004. Direção de Tim Story, com Queen Latifah, Jimmy Fallon, Henry Simmons, Jennifer Esposito, Gisele Bündchen, Ann-Margret, Cristina de Oliveira.

Remake de uma comédia francesa de sucesso. Jimmy Fallon faz policial incompetente que se liga à taxista Queen Latifah para tentar prender quadrilha - de mulheres - que está assaltando bancos. Gisele Bündchen, na época, ainda estava com Leonardo DiCaprio. Sua estreia no cinema foi desanimadora. Até o diretor Tim Story tinha consciência de que estava fazendo uma porcaria, conforme declarou ao Estado. Comparativamente, ele se saiu bem melhor com Quarteto Fantástico (1 e 2). Reprise, colorido, 110 min.

Controle Absoluto

22h25 NA GLOBO

(Eagle Eye). EUA, Alemanha, 2008. Direção de DJ Caruso, com Shia Labeouf, Michelle Monaghan, Rosario Dawson, Michael Chiklis, Anthony Mackie, Ethan Embry

Shia Labeouf é confundido com, terrorista e vira alvo de uma caçada do FBI. No processo, liga-se à mãe solteira Michelle Monaghan, que está sendo forçada a participar de um atentado justamente para proteger o filho. O diretor Caruso fez uma salada com ingredientes de vários clássicos de suspense de Alfred Hitchcock. Sem ser especial, o filme deixa-se ver. Shia é bom como herói de ação, recriando o homem errado de Hitchcock. Reprise, colorido, 117 min.

Marguerite, Tal Como Ela É

23H30 NA CULTURA

(Marguerite, Telle Qu'en Elle-Même). França, 2003. Direção de Dominique Auvray.

A Marguerite do título é Duras, escritora, roteirista e diretora, e quem faz seu perfil é Dominique Auvray, que montou vários filmes da autora. Arquivos familiares e entrevistas ajudam a compor o retrato de Duras, que chegou ao cinema pela mão de Alain Resnais, quando ele a chamou para escrever o roteiro de Hiroshima, Meu Amor. Considerando-se a importância da retratada, o programa torna-se imperdível. Reprise, colorido, 60 min

Leila Diniz

2H40 NA GLOBO

Brasil, 1987. Direção de Luiz Carlos Lacerda, com Louise Cardoso, Diogo Vilela, Tony Ramos, Marieta Severo, Stenio Garcia, Antonio Fagundes.

Leila Diniz irrompeu como um furacão no cinema do País nos anos 1960 e, na sua curta vida, ajudou a liberar as mulheres brasileiras "do jugo da sua particular escravidão", como escreveu o poeta Carlos Drummond de Andrade. O diretor Lacerda, codinome 'Bigode', era amigo da biografada. Louise Cardoso empenha-se em transformar sua personagem numa figura 'real'. Apesar do empenho de ambos, o filme não dá conta de Leila nem do Brasil em que ela viveu. Reprise, colorido, 101 min.

TV Paga

Matar ou Morrer

20H20 NO TELECINE CULT

(High Noon). EUA, 1952. Direção de Fred Zinnemann, com Gary Cooper, Thomas Mitchell, Lloyd Bridges, Katy Jurado, Grace Kelly, Lee Van Cleef.

Considerado um dos grandes westerns de todos os tempos, o cartaz da TV paga faz coincidirem o tempo real e o cinematográfico na história do xerife que, no dia do seu casamento - e da aposentadoria - busca ajuda para enfrentar pistoleiros que estão chegando no trem do meio-dia. Como em todo filme de Zinnemann, o roteiro de Carl Foreman trata de uma crise de consciência - e reflete o clima de covardia moral da época do macarthismo. Vencedor de quatro Oscars, incluindo melhor ator (Gary Cooper) e canção (Do Not Forsake, Oh My Darlin', de Dmitri Tiomkin e Ned Washington). Reprise, preto e branco, 84 min.

Cabeça a Prêmio

22 H N O CANAL BRASIL

Brasil, 2010. Direção de Marco Ricca, com Eduardo Moscovis, Alice Braga, Fúlvio Stefanini, Octávio Müller.

Chega rapidamente à TV paga o longa de estreia do ator Marco Ricca, sobre o conflito que envolve irmãos na fronteira entre Brasil, Paraguai e Bolívia. Existem ecos de Os Matadores, de Beto Brant, na trama que envolve traições, corrupção e violência. Alice Braga, como a filha 'rebelde' de Fúlvio Stefanini, acirra as disputas. Inédito, colorido, 91 min.

O Círculo do Poder

1 H NO TCM

(The Inner Circle). EUA, 1991. Direção de Andrei Kopnchalovski, com Tom Hulce, Lolita Davidovitch, Bob Hoskins, Feodor Chaliapin Jr.

O russo Konchalovski teve tantos problemas com a censura comunista que trocou a URSS pelo Ocidente e foi parar em Hollywood, onde fez filmes irregulares, alguns bons. Este é dos melhores, sobre projecionista que entra para o entourage de Stalin e, como íntimo do poder, passa a trabalhar quase que exclusivamente para o ditador (que amava os filmes norte-americanos). Uma cena emblemática resume o filme - o projecionista, Tom Hulce, treme diante de Stalin, Bob Hoskins, que pergunta o motivo - "É a primeira vez que o vejo, senhor." Stalin responde - "É a primeira vez que eu também o vejo e não estou tremendo." Genial. Há exatamente 20 anos, no quadro da nova Rússia pós-comunista, o outrora proibido Konchalovski teve autorização para filmar no Kremlin e até na sede central da polícia secreta, a KGB. Reprise, colorido, 134 min.

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